Depois da Alemanha, eleições na Suécia podem ver extrema-direita chegar ao poder
A líder dos Sociais-Democratas, Magdalena Andersson, parte como favorita para regressar ao cargo de primeira-ministra após quatro anos na oposição. Contudo, a margem de manobra é mínima. A última sondagem da empresa Ipsos para o jornal Dagens Nyheter indica uma separação de apenas 0,3 pontos percentuais entre os dois blocos políticos, um cenário que atribuiria 175 mandatos à esquerda liderada por Andersson contra 174 lugares para o campo de direita.
O atual primeiro-ministro, Ulf Kristersson, líder do partido conservador Os Moderados, quebrou um tabu político histórico em 2022 ao firmar um acordo de governação com os Democratas da Suécia (SD), formação de extrema-direita indispensável para viabilizar a sua coligação minoritária. Esse acordo concedeu ao SD uma influência determinante sobre as políticas do Estado, em especial nas áreas da segurança e das migrações.
Para o novo ciclo político, Kristersson foi ainda mais longe e comprometeu-se formalmente a atribuir pastas ministeriais ao SD se for reconduzido no poder.
A votação sueca acontece num momento de pressão nacionalista em vários pontos do continente europeu, dias após o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) ter vencido eleições regionais e enquanto Marine Le Pen surge na liderança das intenções de voto para as presidenciais francesas.
O manifesto eleitoral do SD apresenta compromissos restritivos, incluindo a tipificação de comportamentos com "sentimento anti-sueco" na legislação sobre incitamento ao ódio contra grupos étnicos, a revogação de autorizações de residência permanente e cortes drásticos na concessão de asilo. Sob o lema "Tornar a Suécia sueca outra vez", o partido capitalizou um endurecimento do quadro penal que já levou à expulsão de adolescentes e à redução da maioridade penal para permitir o envio de jovens de 14 anos para prisões de adultos.
Mesmo uma eventual vitória dos Sociais-Democratas não deverá traduzir-se numa reversão das medidas em vigor. Para reconquistar o eleitorado, o partido de Magdalena Andersson adotou uma linha mais dura na justiça criminal e na integração, pelo que alguns observadores antecipem que muitas das medidas consideradas problemáticas não serão revogadas ainda que a trajetória restritiva possa abrandar o ritmo.
Entre o eleitorado sueco, as preocupações dominantes centram-se na saúde pública, na ordem e segurança interna, na imigração e no desempenho da economia.
As urnas encerram na noite de domingo, antecipando-se um longo período de negociações partidárias que poderá demorar semanas ou meses até à formalização do próximo governo em Estocolmo.
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