Há um documento "inaceitável" com 21 exigências que Trump fez ao Brasil para tirar as sanções
Os Estados Unidos declararam em meados de 2025 a imposição de tarifas de 50% sobre todos os produtos brasileiros. Em carta divulgada pela administração Trump, a medida era justificada numa alegada "caça às bruxas" contra Jair Bolsonaro, na época acusado de tentar um golpe de Estado, e um défice na balança comercial norte-americana com o país liderado por Lula da Silva, algo que não correspondia à verdade - os EUA têm superávit nesta relação comercial. Em outubro de 2025, os países sentaram-se para conversar, e a Casa Branca entregou um documento considerado "inaceitável" com 21 demandas, segundo o Estadão.
O jornal brasileiro teve acesso integral ao documento que detalha as ambições de Washington em relação ao Brasil. Na maior parte dos casos, os pedidos eram relacionados com a esfera comercial, mas algumas exigências foram consideradas políticas.
“O Brasil compromete-se a realizar eleições presidenciais livres e justas em 2026 e não deterá, prenderá nem limitará arbitrariamente, de qualquer outra forma, a participação de dissidentes políticos no processo eleitoral”, consta nos pedidos. Apesar de não mencionar Jair Bolsonaro diretamente, este excerto foi interpretado como uma exigência relacionada ao líder da extrema-direita brasileira.
Em outubro, Bolsonaro já havia sido condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentar um golpe de Estado após perder as eleições de 2022. Desde o início de 2025, Eduardo Bolsonaro, seu filho, vive nos Estados Unidos, onde tenta articular sanções contra autoridades brasileiras. O ex-deputado foi condenado no Supremo Tribunal Federal por coação no curso do processo devido à pressão por penalidades contra o Brasil durante o julgamento das ações antidemocráticas.
Além disso, a administração Trump exigiu medidas para blindar empresas de penalidades por infrações às leis brasileiras relacionadas à liberdade de expressão. "O Brasil não aplicará multas extraterritoriais, não imporá congelamento de ativos, não deterá, prenderá ou punirá de qualquer outra forma cidadãos americanos, residentes legais ou empresas americanas por conduta protegida pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA”.
No país sul-americano, o conceito de liberdade de expressão possui limitações, ao contrário dos Estados Unidos. Discurso racista, por exemplo, pode ser punido com uma pena de prisão de dois a cinco anos. Além disso, o uso sistemático de desinformação para benefício eleitoral também já foi considerado ilegal pelo Supremo Tribunal Federal, sendo um dos aspetos que levou à condenação de Jair Bolsonaro.
Entre as exigências comerciais estavam a isenção de impostos para veículos automotores e peças. Segundo a jornalista Ana Clara Costa, da revista piauí, o governo Lula chegou a indicar que esta proposta seria viável caso fosse expandida aos demais parceiros comerciais brasileiros, como a China, para impedir um favorecimento desproporcional. Isso, contudo, desagradou os norte-americanos.
Agora, o governo Trump cogita retomar sanções contra juízes do Supremo Tribunal Federal na sequência do julgamento que pode abrir uma investigação contra Alexandre de Moraes e está interrompido por até 90 dias.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.