Que Deus salve os drag kings de Inglaterra
Durante a última hora, Trudi Jackson tem estado a pintar um queixo bem definido, a aplicar tatuagens de dragões nos antebraços com uma esponja, a fixar os seios com fita adesiva e a colar cabelo no peito. “A minha parte preferida é o queixo, porque posso fazer a covinha”, diz ela, com o pincel de maquilhagem na mão. Mas é no momento em que ela coloca o bigode — uma criatura peluda transportada no seu próprio tupperware — que uma espécie de espírito toma conta dela. A voz fica mais grave; a postura torna-se mais ampla. O andar é agora um bambolear arrogante, e todas as mulheres na sala são olhadas de cima a baixo com uma sobrancelha levantada: “Tudo bem, querida?”
Jackson saiu oficialmente do recinto. No seu lugar, está agora o drag king Pat Riarchy.
Pat é um pouco como um tio inapropriado numa reunião de família dos anos 70. É desconfiado e sexista e adora deixar as mulheres desconfortáveis. Apesar da bravata do seu corte de cabelo ‘mullet’ esvoaçante e da tanga com padrão de leopardo, Pat está tragicamente mal preparado para as regras de conduta atuais.
Nos seus espetáculos, Pat — muitas vezes empunhando uma bandeira da Union Jack — tenta dar sentido a um mundo onde “é difícil ser um tipo”. Ele brinca sobre “as raparigas a roubarem-nos os empregos” e fica perplexo com a sigla LGBTQIA+. Nas suas noites «Karablokey», Pat canta uma canção original chamada «While Yer Down There Luv». Noutra atuação numa piscina local, no âmbito do festival do Orgulho Gay, disse aos nadadores reunidos : “Não sou um instrutor profissional de hidroginástica. Mas, como todos os homens, consigo dar-me bem com qualquer coisa.”
“Para mim, é catártico”, diz Jackson, de 52 anos, atriz e treinadora de representação que cresceu numa cidade mineira no sul do País de Gales. “É a minha forma de expressar o que significa nascer mulher num mundo dominado por esta masculinidade que era extremamente tóxica enquanto eu crescia.”
Atualmente, Jackson e a sua personagem drag king vivem em Ramsgate, uma cidade portuária na costa sudeste de Inglaterra, onde — tal como a bandeira do Pat — fileiras de Union Jacks tremulam ao longo do porto. Tal como muitas cidades ao longo deste troço da costa, tem zonas de grande carência, ao mesmo tempo que atrai artistas e pessoas que procuram uma vida mais tranquila, longe de Londres.
Escondido nas traseiras de uma barbearia encontra-se o Screaming Alley , uma produtora de cabaré que apoia artistas independentes. Ao descer uma escadaria rosa choque coberta de cartazes de George Michael e Madonna, chega-se ao Alley Bar e ao palco.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.