PS acusa André Ventura de "fugir da PJ" e este responde que não discute com corruptos
O líder parlamentar do PS acusou esta quinta-feira o presidente do Chega de “fugir” a depor presencialmente na PJ pelo caso do assalto ao seu gabinete, e André Ventura desabafou que não vale a pena discutir com corruptos.
Este foi um dos momentos mais tensos do debate de urgência agendado pelo Chega sobre o tema da alegada proteção institucional ao ministro Luís Neves pelo PSD, PS e presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco.
Um debate que forçou José Pedro Aguiar-Branco a várias interrupções, quase sempre para moderar excessos de linguagem ou gritarias nas bancadas. E em que também se assistiu a uma cena insólita: No final do seu discurso de abertura, André Ventura atacou a atuação do presidente da Assembleia da República e pôs mesmo o dedo em riste.
Os ânimos exaltaram-se a seguir, na sequência de um uma intervenção do líder parlamentar socialista, Eurico Brilhante Dias, que criticou o tema proposto pelo Chega para o debate de urgência no Parlamento. Defendeu que o tema do assalto ao gabinete de André Ventura no Parlamento merecia um debate de urgência proposto eventualmente pelo Chega e observou que André Ventura não optou por isso.
“Por que razão não vai à PJ, olhos nos olhos, dizer como testemunha o que aconteceu no assalto ao seu gabinete e qual a razão para preferir responder por escrito? Por que foge da PJ? Passaram-se mais de dois meses, está calado e nada diz”, completou o presidente do Grupo Parlamentar socialista.
A bancada do Chega reagiu de forma sonora às palavras de Eurico Brilhante Dias. André Ventura começou por contrapor que pediu para ser assistente nesse processo e, depois, virou a página da questão do assalto, procurando, em contrapartida, associar o fenómeno da corrupção ao PS.
“Acho que o senhor deputado Eurico Brilhante Dias se confundiu durante um ou dois minutos. É que nos últimos 50 anos quem tem estado a fugir é o PS. Se alguém tem historial de algemas é o PS. Onde estava Eurico Brilhante Dias quando os polícias encontraram na residência do [ex] primeiro-ministro [António Costa] notas nas garrafas e nos livros?”, questionou, aqui numa alusão ao caso de Vítor Escária, que foi chefe de gabinete do atual presidente do Conselho Europeu.
José Pedro Aguiar-Branco foi obrigado a interromper quando André Ventura, ainda quando se dirigiu à bancada do PS, disse: “Não vale a pena responder a corruptos”. Nesse momento, num ambiente de elevada gritaria no hemiciclo, o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, levantou-se do seu lugar, assim como Rodrigo Saraiva da Iniciativa Liberal.
Em termos de substância política, na fase inicial deste debate, o presidente do Chega defendeu a tese sobre a existência de um conluio entre PSD e PS para travar uma comissão parlamentar de inquérito requerida ao abrigo do direito potestativo sobre a atuação do ministro Luís Neves enquanto ex-diretor nacional da PJ. Um conluio ao qual associou também o presidente da Assembleia da República.
“Isto é destruir e destituir de fundamento a regra constitucional e legal das comissões de inquérito potestativas. PS e PSD querem ganhar na secretaria. Não podemos aceitar que se ganhe na secretaria em Portugal.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.