Satisfação com reforma da saúde primária desce para 26% — veja os motivos
A satisfação dos coordenadores das Unidades de Saúde Familiares (USF) com a reforma nos Cuidados de Saúde Primários desceu cinco pontos percentuais no último ano, de 31,9% para 26%, interrompendo uma melhoria observada desde 2022/23.
Os dados constam do relatório "O Momento Atual da Reforma dos Cuidados de Saúde Primários em Portugal 2025/2026" da Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiar (USF-AN) que será hoje apresentado em Gondomar, no distrito do Porto, segundo o qual a insatisfação subiu de 43,7% para 46,8% e a satisfação desceu de 31,9% para 26,0%.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da USF-AN e coordenador do estudo, André Biscaia, não se mostrou surpreendido porque quando não se verificam melhorias, "a satisfação começa a cair".
"As falhas informáticas são algo que perturba muito o dia-a-dia.
Também tivemos um grande aumento das listas [de utentes].
Agora as listas, em termos genéricos, são muito maiores do que eram.
E praticamente só [utentes] utilizadores, portanto, o fluxo de trabalho é muito intenso", exemplificou André Biscaia.
Lembrando que às equipas das USF faltam profissionais como psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, assistentes sociais, entre outros, o dirigente referiu que "à equipa de saúde familiar nuclear [médico, enfermeiro e secretário clínico] é exigido que faça todos os papéis".
"É evidente que nem sempre o conseguem fazer bem.
Exige-se que se adaptem quando tudo o resto não se adaptou", alertou.
Ainda a propósito da "pressão sobre as equipas", 85,0% das USF confirmaram ausências superiores a 30 dias.
Segundo André Biscaia, nas ausências prolongadas cabem casos como gravidezes, doenças prolongadas e pessoas deslocadas para outros serviços, pelo que o presidente insistiu: "Tudo isso sobrecarrega depois o resto dos elementos das unidades".
O relatório baseia-se nas respostas de 541 coordenadores das 712 USF existentes a nível nacional na altura em que o estudo foi elaborado, ou seja 76% do total.
Destacando que para este estudo contribuiu "o maior número de respondentes de sempre", a USF-AN especifica que os dados foram recolhidos entre 19 de junho e 4 de agosto deste ano e foram convidados a participar todos os coordenadores de USF.
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