"Tem de ser apurado quem é que impôs isto": Fenprof congratula-se com abertura de inquérito ao caos dos exames nacionais
A Fenprof congratulou-se, esta terça-feira, em conferência de imprensa, com a abertura de um inquérito por parte do Ministério Público (MP) ao caos em torna da classificação digital dos exames nacionais. José Feliciano da Costa, secretário-geral da estrutura sindical, diz que ainda há muito por apurar sobre este assunto, incluindo o que levou Fernando Alexandre a avançar com o processo, “apesar dos sucessivos alertas relativos às falhas da plataforma informática utilizada”.
“Tem de ser apurado quem definiu a arquitetura técnica e funcional da plataforma de classificação, quais os requisitos de segurança exigidos, a confidencialidade do processo, a integridade, a disponibilidade, quem é que impôs isto, o que é que foi medido, o que é que foi dito, o que é que foi visto, o que é que foi feito”, sublinhou.
A Fenprof diz também esperar que o processo aberto pelo MP permita “esclarecer quais eram as responsabilidades atribuídas a cada uma das entidades, ao próprio Ministério da Educação, à EduQa e a algumas das empresas que nós sabemos que foram envolvidas, não conhecemos todas, mas nomeadamente à Deloitte”.
“Importa determinar quem detinha, em todo este processo, poderes de administração, de decisão da própria plataforma, quem possuía permissões para aceder, para alterar ou para eliminar dados. Importa esclarecer se foram emitidas orientações destinadas a minimizar ou desvalorizar a gravidade ou falhas verificadas perante os classificadores. Tem de ser apurado se foram transmitidas orientações aos classificadores durante o processo, que os obrigaram a adotar procedimentos desconfortantes com os critérios que estavam em cima da mesa”, acrescenta Feliciano da Costa.
Pela primeira vez este ano, os exames nacionais do ensino secundário foram corrigidos em formato digital, mas o processo registou falhas técnicas desde o início, obrigando o Ministério a adiar os prazos inicialmente previstos.
Ao longo de várias semanas, os professores relataram atrasos na disponibilização das provas, erros na digitalização das respostas e dificuldades na plataforma de classificação.
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