Sindicato de Bombeiros Sapadores critica proposta negocial do Governo
O presidente do Sindicato Nacional dos Bombeiros Sapadores (SNBS) criticou hoje a proposta negocial do Governo para os profissionais e admitiu o regresso aos protestos de rua.
A proposta apresentada "melhorou algumas coisas relativamente à anterior", mas "é muito insuficiente", afirmou Ricardo Cunha a bombeiros concentrados na Praça do Comércio, em Lisboa, logo depois da reunião.
A reunião de hoje no Ministério da Administração Interna juntou o SNBS com os secretários de Estado da Proteção Civil, Florestas, Administração Pública e Administração Local.
Em causa está, segundo o sindicato, o facto de o governo "não querer ultrapassar a autonomia das autarquias", recusando impor às Câmaras a fixação de horários e o reforço de equipas.
"Dizem que legalmente não podem regulamentar horários específicos para os municípios, mas nós discordamos disso e dissemos que a proposta, no nosso entender, estava muito longe daquilo que a gente pretende, que é ter uma garantia que os municípios fazem um horário e que é seguro aquilo que nos pagam", afirmou Ricardo Cunha.
"Dissemos logo ali [na reunião] que, numa primeira análise, isto não tinha pés para andar e que poderíamos pôr em cima da mesa a hipótese de voltar aos protestos a nível nacional", adiantou.
Os secretários de Estado disseram ao SNBS que iriam reunir com a Associação Nacional de Municípios Portugueses para tentar sensibilizar para a questão dos horários dos bombeiros sapadores, bem como o reforço de meios.
Segundo Ricardo Cunha, "os municípios comprometem-se a abrir concurso e não abrem, como é o caso de Leiria, que prometeu que ia abrir 20 vagas e até hoje não entrou ninguém".
"O problema é que nós temos autarcas irresponsáveis a nível nacional, que olham para os bombeiros como uma despesa, e não como um investimento para o seu município", acrescentou.
A ausência de pagamento de horas extraordinárias é outra das queixas dos bombeiros. "Nos moldes que existem atualmente, há câmaras que entendem que não têm que pagar" e outras optam por outras soluções, o que já levou o SNBS a apresentar "mais de 100 ações judiciais contra municípios".
Ricardo Cunha criticou também a presença de tantos polícias no perímetro da concentração.
"Até parece que somos arruaceiros ou que é necessário esta quantidade de polícias", disse o dirigente sindical, que avisou os bombeiros presentes para o risco dos protestos e referiu que "o Governo disse que se voltarem os protestos, a negociação fica interrompida".
"Até parece que há alguma negociação. Está tudo parado há dois anos", respondeu uma das bombeiras presentes.
Antes da reunião de hoje, o governo esteve reunido com a Plataforma Intersindical dos Bombeiros Sapadores da Administração Local, que não é reconhecida pelos elementos presentes no Terreiro do Paço.
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