Debate do PS tornou-se no tiro... ao PS
José Luís Carneiro fez tudo para ganhar a dianteira da discussão e marcou para esta sexta-feira um debate de urgência sobre o aumento do custo de vida dos portugueses. Não só apanhava o rescaldo do Conselho de Ministros, como tentava ultrapassar o Chega, que tem propostas semelhantes às do PS. Mas no debate acabou por ser o alvo das várias bancadas — até do PCP.
O PS e o Chega têm projetos com medidas ( algumas coincidentes ) com impacto para os rendimentos de famílias e empresas, mas esses só serão debatidos e votados na próxima semana. Esta manhã serviu para o debate político, o que resultou num fogo cruzado entre bancadas parlamentares onde reinaram os dedos a apontar ou à “responsabilidade” ou à “hipocrisia” do PS, com o Chega a liderar a frente de ataque. E a mostrar que o combate entre os dois partidos está a intensificar-se ao ritmo dos resultados que vão sendo mostrados pelas sondagens — a dada altura do debate, Carneiro até as trouxe para o plenário durante uma vozearia do Chega: “Não há razões para isso. Até porque o senhor está bem nas sondagens. Esteja tranquilo, homem! ”.
O preço dos combustíveis acabou por dominar o debate e servir também este propósito do Chega de medir forças com o PS — afinal ambos os partidos propõem a baixa do IVA dos combustíveis. Mas como os socialistas apenas avançaram com uma resolução, que funciona como uma recomendação ao Governo, André Ventura aproveitou para desafiar o PS a aprovar antes o seu projeto de lei, que teria impacto certo já que, ao ser aprovado passa a ser regra. O líder do Chega procurava atribuir ao PS falta de vontade da resposta imediata aos problemas dos portugueses, falando mesmo em “hipocrisia”.
As medidas que o Chega propõe têm o próximo ano como data para entrarem em vigor, para não chocarem com a norma travão e isso serve ao PS para se recusar a aprová-las, já que reclama a necessidade de as medidas terem efeitos imediatos — o que só estaria nas mãos do Governo, que escolheu outra via . Mas Ventura enumerou propostas aprovadas pelo PS no passado que contrariavam contas feitas pelos governos para concluir que “não há nenhuma norma travão que trave José Luís Carneiro, o que o trava é um acordo hediondo com o PSD para não baixar o IVA dos combustíveis”. Pedro Pinto havia de colorir esta acusação de uma forma ainda mais direta ao dizer, a dada altura do debate, que “PS e PSD são iguais, são farinha do mesmo saco”.
Apostado em ficar isolado, como o único líder da oposição a travar combate contra a “tragédia” de “PSD e PS juntos para roubar as pessoas”, Ventura via do outro lado do hemiciclo, na bancada do PS, José Luís Carneiro e o líder parlamentar, Eurico Brilhante Dias, acenarem-lhe com um exemplar da Constituição. Era a explicação socialista para avançar pela simples recomendação de medidas, em vez de arriscar aprovar propostas concretas que ao entrarem em vigor ferissem o Orçamento em vigor — a norma travão.
Mas Carneiro tentou não se deixar acantonar no aconchego com o PSD e procurou atirar de volta a Ventura a acusação.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.