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Extremamente desnecessário

Observador ·
Extremamente desnecessário

Declaração à mesa: não costumamos acompanhar o trabalho de Joana Marques. Nada pessoal; simplesmente não conhecemos muitas das pessoas de quem fala: personagens de reality shows ou influenciadores, mundos que optamos por não frequentar, mas que merecem, certamente, o direito a serem objeto de humor, como só as figuras públicas ou os tipos sociais podem ser. Mas vimo-la uma vez nuns Globos de Ouro fazer piadas com metade dos presentes na sala e, estando nós próprios na sala, percebemos quanto a outra metade gelava com medo de ser apanhada nas câmaras a rir. Rimos, portanto, nós à gargalhada, de ambas as coisas e aplaudimos a falta de respeitinho, que, justamente, tanta falta nos faz por cá.

Soubemos do caso dos Anjos, como, supomos, quase toda a gente: pelos próprios. Quando processaram Joana Marques por uma “vídeo-montagem”, transformaram uma piada numa notícia de telejornal. Tiveram, um dia, uma interpretação infeliz do Hino Nacional que algumas pessoas viram; puseram, inadvertidamente, o país inteiro a ver. E ainda pediram uma indemnização de mais de um milhão de euros por isso. Tudo mau. Tudo embaraçoso ou, como agora se diz por tudo e por nada, “vergonha alheia”. Assistimos, sem surpresa, mas com contentamento, à decisão do tribunal favorável a Joana Marques, à liberdade de expressão e criação, sobretudo num tempo em que o impulso para os “cancelamentos” parecia estar a querer pegar também por cá. Joana Marques foi absolvida e a dupla de cantores teve de arcar com os custos judiciais, fora a situação humilhante em que se tinha colocado a si própria. Caso encerrado. Ou então, não.

Joana Marques – Culpada ou Indecente? é um documentário que se estreia agora (esta segunda-feira, dia 14 de setembro) na Amazon Prime Video quase quatro anos e meio depois do facto original: a atuação dos Anjos na prova de MotoGP, em Portimão, e o vídeo de Joana Marques intercalando-a com reacções dos jurados de um concurso de talentos. Estreia-se depois do processo judicial e depois do espectáculo que Joana Marques entendeu fazer sobre o assunto. Isto é, recapitulando, para que não se perca: os Anjos cantaram mal o Hino; Joana Marques fez uma piada; os Anjos processaram-na; Joana Marques ganhou. Os Anjos não fizeram nada; Joana Marques fez um espectáculo. Os Anjos voltaram a não fazer nada; Joana Marques fez um documentário ou aceitou ser protagonista de um. Haveria mais alguma coisa para dizer acerca deste assunto? Algum ângulo por explorar, alguma piada por fazer?

Spoilert alert: se havia, passou-nos ao lado. Doutro modo, diríamos que Joana Marques – Culpada ou Indecente? começa só de forma escancaradamente demagógica: com uma “reconstituição” da vida “real”, em que Joana fala com um dos filhos sobre como, na escola, lhe perguntam porque está a mãe em tribunal. Para concluírem, na voz da criança, que quem a processou só podem ser pessoas sem “sentido de humor” e até “um bocado palermas”.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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