República de Seguro, OE central e o Luís da Europa
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Ora, bem-vindos à primeira parte da Vixi Suave. Nós estamos numa edição especial em Estrasburgo. Desta vez mudámo-nos provisoriamente para o Parlamento Europeu. Comigo tenho o Miguel Santos Carrapatoso, que é editor adjunto de política do Observador, e também o Miguel Vítor Dias, que é coordenador de política da Rádio Observador. Para não desformatarmos o programa de todas as formas, eu vou dizer que vai começar a Vixi Suave. Ia começar por propor uma sopa frugal.
Rui, se me permites só dar as boas-vindas ao Miguel Santos Carrapatoso à Europa, acho que é devida essa palavra.
O Miguel tinha tido uma vinda acidentada da última vez, mas entretanto nada correu mal com ele, só apenas com as pessoas que o levaram.
Exatamente. Não vamos enviar foguete antes da festa. Então, Miguel, uma questão aqui de hierarquia. Miguel Santos Carrapatoso, começa pela sopa da frugalidade.
Para falar de Luís Montenegro e do discurso que fez no Parlamento Europeu, nós temos que pôr sempre em perspectiva a importância relativa do Estado português no conjunto dos 27, e também não olhar para esta intervenção de Luís Montenegro como se tivesse sido um momento definidor para o momento atual da União Europeia e para as negociações dos fundos europeus. Sabemos qual é o nosso peso relativo e, portanto, também não devemos entrar em grandes delírios sobre o discurso e a importância do discurso de Luís Montenegro. Ainda assim, dito isto, o primeiro-ministro português revelou alguma coragem no discurso que fez. Sabemos que existe uma tensão entre os chamados países frugais e os amigos da coesão. Sabemos que há uma discussão em relação àquilo que deve ser o próximo orçamento comunitário e à distribuição dos fundos europeus para uma fatia maior para a coesão e para a agricultura, se para a inovação e a competitividade. E sabemos que historicamente existe este braço de ferro entre os países frugais e os demais Estados membros sobre as comparticipações a que cada Estado membro deve estar obrigado. E o que Luís Montenegro veio aqui fazer foi lembrar as regras do jogo. Os países frugais ganham muito ou tiram muito partido do mercado comum e se tiram partido desse mercado comum, não podemos deixar os países da coesão para trás, sob pena de acentuar ou aprofundar os equilíbrios que já existem na União Europeia. E portanto, nesse contexto, e insistindo mais uma vez que não nos devemos esquecer do peso relativo de Portugal, foi um bom discurso, um discurso corajoso, que aliás conseguiu a original proeza de ser mais ou menos consensual à esquerda e à direita dos eurodeputados portugueses. Ninguém criticou o discurso de Luís Montenegro, fizeram-lhe outros reparos, sobretudo sobre a questão da habitação, sobre a questão da utilização da base das Lajes, mas no essencial, sobre a posição do Governo português, do Estado português em relação aos fundos europeus, à esquerda e à direita, toda a gente secundou Luís Montenegro. E portanto, quando há esta consensualidade em torno de uma intervenção do primeiro-ministro português, quer dizer que foi relativamente bem-sucedida.
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