O boicote dos canadianos à América de Trump já está a custar milhares de milhões aos EUA
A relação entre o Canadá e os Estados Unidos está a atravessar uma transformação que não se mede apenas pelas tarifas ou pelas negociações entre os dois governos.
Também se sente nos supermercados, nas agências de viagens e nas escolhas quotidianas dos consumidores.
Cada vez mais canadianos estão a procurar alternativas aos produtos e serviços norte-americanos, numa reacção à política comercial e às declarações de Donald Trump.
A dimensão do fenómeno é difícil de medir apenas através das vendas, mas há um indicador particularmente claro: os canadianos estão a viajar menos para os Estados Unidos e a escolher outros destinos.
Dados do Statistics Canada mostram que, em 2025, as viagens de residentes canadianos aos Estados Unidos caíram 23,5%, uma redução de cerca de 7,1 milhões de deslocações face a 2024.
Ao mesmo tempo, as viagens para destinos internacionais fora dos EUA aumentaram 10,2%, enquanto as deslocações dentro do próprio Canadá também cresceram.
A mudança prolongou-se em 2026.
Em Fevereiro, os canadianos fizeram 2 milhões de viagens de regresso dos Estados Unidos, menos 12,5% do que no mesmo mês do ano anterior e a 14.ª queda consecutiva em termos homólogos.
O consumidor transformou-se numa arma comercial É neste contexto que ganha importância o movimento de boicote aos produtos norte-americanos.
O The Guardian , que publicou este sábado uma reportagem baseada em mais de 3.500 respostas de canadianos, encontrou uma alteração significativa nos hábitos de consumo.
Há consumidores que procuram deliberadamente produtos fabricados no Canadá, evitam marcas norte-americanas e recorrem a aplicações para identificar a origem dos bens antes de os colocarem no carrinho de compras.
A lista vai muito além da alimentação.
Segundo os testemunhos recolhidos pelo jornal britânico, há canadianos a evitar determinados serviços tecnológicos, plataformas de entretenimento, automóveis, bebidas alcoólicas e companhias aéreas dos Estados Unidos.
O turismo é, contudo, um dos sectores onde a mudança pode ser mais facilmente quantificada.
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