É o mundo de Trump — e ele está a acelerar o caos
As duas principais guerras do planeta, no Irão e na Ucrânia, já não estão confinadas às suas fronteiras. Especialistas alertam para cenários apocalípticos em que a inteligência artificial poderá eliminar a humanidade. A subida dos preços da energia abala as economias industrializadas, afetadas pela desigualdade. Inundações, incêndios e calor abrasador estão a transformar a crise climática numa espécie de cenário bíblico.
Entretanto, as instituições globais que financiaram uma relativa estabilidade estão a desmoronar-se. As Nações Unidas, onde os líderes mundiais estão reunidos, parecem ineficazes enquanto líderes autoritários rejeitam os seus valores fundamentais: democracia, direitos humanos e ajuda internacional.
Em qualquer outro momento dos últimos 80 anos, os EUA serviriam para restaurar a estabilidade. Mas, de forma extraordinária, a superpotência do Ocidente é agora um agente de instabilidade global.
O discurso anual de Donald Trump na Assembleia Geral das Nações Unidas, esta terça-feira, acontece numa altura em que a sua popularidade está a cair antes das eleições intercalares decisivas e em que está envolvido no tipo de guerra que prometeu nunca travar.
Ainda assim, espera-se que Trump defenda que os EUA nunca foram tão poderosos ou tão respeitados. Segundo responsáveis norte-americanos, o presidente vai vangloriar-se de estar a promover a paz no mundo e a enfrentar crises que os seus antecessores evitaram.
“O nosso país é novamente respeitado. Somos respeitados como nunca antes. Vou a reuniões e toda a gente se levanta. Não se levantavam para o nosso último presidente; não se importavam com ele”, afirmou Trump no início deste mês.
Os aliados desdenhados, como o Canadá e os países europeus, estão, de forma extraordinária, a apressar-se a unir-se para se protegerem do seu antigo garante de segurança — os EUA. A confiança nos Estados Unidos, cada vez mais imprevisíveis, está a desaparecer.
“A América mudou”, afirmou no mês passado o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, que se apresenta como líder das “potências médias” que se estão a mobilizar para a era pós-americana. “Não podemos controlar a tempestade que sopra de Washington.”
A lógica do segundo mandato de Trump é a de que os EUA estão a jogar com um baralho viciado a seu favor e de que as outras potências não têm cartas. “Posso fazer o que quiser”, afirmou em março, referindo-se a Cuba, mas resumindo a sua visão do mundo.
A política externa de Washington é agora uma extensão da personalidade do comandante-chefe, marcada pelo uso de ameaças e da força para obter ganhos materiais. No fim de semana, por exemplo, Trump questionou na Fox News se deveria “destruir completamente a nação” iraniana.
Mas, enquanto Trump vê os EUA como uma potência suprema, o seu poder parece agora mais frágil.
A sobrevivência do regime iraniano, apesar de tudo o que Trump lançou contra ele, ridiculariza a sua narrativa de domínio.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.