É simples: manifestação, sim; mas ocupação ilegal, não
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Muito bom dia, são 8h23. O Miguel Pinheiro já está conosco para uma nova edição do "O Bom, o Mau e o Vilão". Olá, Miguel. Bom dia.
Bom dia. O meu bom de hoje é a ordem pública. Eu sei que para algumas pessoas fico a parecer um velho jarreta ao falar sobre estas coisas antigas, mas a ordem pública é um bem inestimável. Os ativistas da habitação participaram de uma manifestação no dia 10. Depois dessa manifestação acabar, decidiram fazer um acampamento numa das principais praças do Porto. O poder público permitiu que esse acampamento se mantivesse sábado o dia todo, depois nessa madrugada, depois domingo o dia todo, depois noutra madrugada e só na segunda de manhã foram forçar o levantamento das tendas. E apesar disso, os ativistas voltaram, montaram novamente o acampamento e só na madrugada de 14 pra 15 é que a polícia lá foi outra vez. A IGAI e o Ministério Público e depois um juiz, eventualmente, decidirão se o uso da força pela PSP foi ou não proporcional. Nós neste momento temos duas versões contraditórias sobre o que aconteceu, mas uma coisa é certinha: às 3h, quando a polícia atuou, não estava a decorrer manifestação nenhuma, pela razão simples de que a lei proíbe manifestações às 3h. Portanto, se era às 3h, não era uma manifestação. É muito fácil perceber isto. O que estava a acontecer era uma ocupação ilegal do espaço público, e lá está, no espaço público tem de haver ordem pública, porque o espaço público não é privativo de ninguém. Senão, depois aparece alguém que também quer ocupar a praça e depois tem que desocupar as pessoas que lá estão para ocuparem a praça e depois vêm outros que também querem ocupar a praça e andamos nisto. E quando dermos por nós, já não há solução.
Também é possível. Paulo, como se dizia em tempos idos: "A praça é do povo, não é de Moscovo."
É José Luís Carneiro, que convém lembrar desde já, foi ministro da Administração Interna. Convém lembrar desde já. Até houve um telefonema pra RTP, tenho ideia, por causa de um cartoon. Ele fez um telefonema porque não gostou de um cartoon, porque estava a defender a polícia. Enfim, quando ontem lhe perguntaram se tinha visto as imagens da intervenção policial no Porto, o líder do PS, que estava lá longe, no estrangeiro, muito longe, ele disse que não. "Não, não tinha visto. Olhe, não vi. O que é que eu lhe hei de fazer? Não vi, estou aqui no estrangeiro, não vi." Mas mesmo não as tendo visto, desatou a fazer considerações. Enviou uma palavra de solidariedade aos jovens que estavam a fazer um protesto ilegal e depois disse isto: "As informações que recebi é de que teria havido uma intervenção desproporcional no uso dos meios em relação àqueles jovens". E depois, José Luís Carneiro ainda disse que as manifestações pela habitação são a prova do falhanço da política de habitação do governo. E alguém que pertenceu ao governo de António Costa, durante o qual se fez zero pela habitação, ou há quem defenda até menos zero, porque a inação agravou o problema.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.