"Este diálogo tem de produzir resultados": UE vai utilizar "todos os instrumentos disponíveis" para reequilibrar relação com a China
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou esta quarta-feira que a União Europeia vai utilizar todos os instrumentos à sua disposição para reequilibrar a relação com a China, país com o qual o bloco tem um défice comercial de mil milhões de euros por dia, que “chegou a um ponto crítico”.
“Alguns dizem que se aproxima um segundo ‘choque chinês’. Mas ele já está aqui. Sente-se nas nossas comunidades e nas fábricas de toda a nossa União. Provoca a desindustrialização dos centros industriais da Europa. Isto é insustentável”, afirmou a política alemã no seu discurso sobre o Estado da União perante o Parlamento Europeu.
A presidente da Comissão Europeia recordou que a UE mantém conversações com a China para tentar reequilibrar a relação comercial, “mas este diálogo tem de produzir resultados”, e sublinhou que é do interesse de ambas as partes cooperar, uma vez que a menor procura interna da China significa que o país também necessita do mercado europeu.
A UE e Pequim estabeleceram outubro como prazo para procurar soluções em matéria de reequilíbrio do comércio e do investimento, controlos à exportação, propriedade intelectual e reforma da Organização Mundial do Comércio, com o objetivo de evitar um conflito comercial entre ambas as partes.
No entanto, von der Leyen insistiu que a UE utilizará “todos os instrumentos ao seu alcance” para reequilibrar a relação com a China. “As palavras são boas, mas os atos são melhores”, afirmou, sem chegar a mencionar a utilização do instrumento contra a coerção económica, que alguns países sugeriram ativar.
“Podemos reduzir os preços da energia, investir e inovar mais e reformar as nossas economias. Mas tudo isso é prejudicado se as nossas empresas não competirem em condições de igualdade”, insistiu perante os eurodeputados.
A presidente da Comissão Europeia destacou também a necessidade de a UE reduzir as suas “dependências perigosas”, que continuam a ser “demasiadas”, incluindo uma dependência da China de 80% em matérias-primas críticas e de 90% em terras raras.
Neste sentido, afirmou que Bruxelas prevê criar uma nova Corporação de Matérias-Primas Críticas que ajude o bloco comunitário a obter e armazenar os materiais necessários para produzir, entre outros, carros elétricos, chips ou equipamento de defesa.
“Precisamos de nos abastecer e acumular reservas com urgência (...). Não depende apenas disso a nossa indústria, mas também a nossa independência e a nossa segurança”, afirmou.
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