“Uma indústria que não é competitiva não consegue ser resiliente”
A indústria portuguesa do pescado atravessa um período de transformação, marcado pela pressão sobre os custos, pela instabilidade das cadeias de abastecimento e por exigências crescentes em matéria de sustentabilidade e regulação.
Num setor fortemente internacionalizado, garantir competitividade tornou-se indissociável da capacidade de investir, inovar e conquistar novos mercados.
Manuel Tarré, presidente da Associação da Indústria Alimentar pelo Frio (ALIF), defende que é necessário criar condições para que as empresas portuguesas e europeias possam competir em igualdade de circunstâncias, reduzindo a complexidade administrativa e promovendo o investimento, a inovação e a internacionalização.
Manuel Tarré, presidente da Associação da Indústria Alimentar pelo Frio (ALIF) À margem da Portugal Seafood Conference , que reúne empresas, decisores políticos e especialistas nacionais e internacionais, Manuel Tarré aborda os principais desafios da fileira, da segurança alimentar à resiliência das cadeias de abastecimento, e aponta caminhos para reforçar a competitividade da indústria do pescado.
A Portugal Seafood Conference realiza-se num momento de grande transformação para a indústria do pescado.
Quais são, na sua perspetiva, os principais desafios que o setor enfrenta atualmente e que tornam este debate particularmente importante? Antes de mais, é importante perceber a dimensão e a relevância económica desta atividade.
Estamos a falar de uma indústria com um peso significativo na economia do mar e na indústria alimentar portuguesa.
De acordo com as últimas estatísticas disponíveis, reportadas a 2024, a indústria transformadora dos produtos da pesca e da aquicultura gerou um volume de negócios de cerca de 1,6 mil milhões de euros.
Mas a dimensão económica da fileira do pescado é bastante mais ampla do que a atividade das empresas estatisticamente classificadas como indústria transformadora.
Basta olhar para o comércio internacional: em 2025, segundo dados ainda provisórios, Portugal exportou cerca de 1,5 mil milhões de euros de produtos da pesca e importou aproximadamente 3 mil milhões de euros.
Estamos aqui perante um universo mais amplo, que inclui diferentes produtos e operadores ao longo da cadeia de valor, pelo que estes valores não são diretamente comparáveis com o volume de negócios da indústria transformadora.
O que estes indicadores mostram, quando analisados em conjunto, é uma fileira fortemente internacionalizada, mas também estruturalmente dependente do abastecimento externo.
Portugal importa pescado para consumo, comércio e transformação e dispõe, simultaneamente, de uma indústria com capacidade para transformar, valorizar e colocar produtos nos mercados nacional e internacional.
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