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A importância de um membro associado

CNN Portugal ·

“Trabalharemos na produção inteligente. Criaremos uma aliança tecnológica. Integraremos as bases industriais de defesa. Faremos do Ártico um projeto conjunto importante. Trabalharemos em energia, minerais críticos e baterias. E também em inteligência artificial, computação quântica, cibersegurança e segurança económica”.

Para o vosso cronista, ao seguir (online) o discurso da Presidente da Comissão Europeia no Parlamento Europeu em Estrasburgo, estas frases foram tão bem-vindas como importantes. Na linha do discurso dos “poderes do meio” no Fórum Económico de Davos, entretanto batizado como a “Doutrina Carney”, Ursula von der Leyen explanava a visão de uma União Europeia (UE) como líder geopolítica, pronta para desenvolver parcerias com países que partilhem os mesmos valores.

Como avançou a Presidente: “Neste novo mundo, precisamos de repensar, com urgência, as nossas parcerias. E construir coligações globais em prol da nossa resiliência e das nossas democracias. E, também neste aspeto, só a Europa, com a sua dimensão e o seu poder, pode assumir a liderança. Foi por isso que convidei o Primeiro-Ministro do Canadá, Mark Carney, para estar aqui hoje.” Porém, o desafio lançado de seguida foi inovador: “Por conseguinte, gostaria de trabalhar consigo [Mark Carney] para abrir caminho para que o Canadá se torne o primeiro membro associado da UE”.

Naturalmente, todos sabemos que tal coisa não existe. No entanto, não é impeditivo da criação de um “estatuto especial”, tal como previsto no Artigo 217.º do Tratado sobre o Funcionamento da UE ( TFUE ), que permite à União celebrar Acordos de Associação com países terceiros, criando “direitos e obrigações recíprocos, ações comuns e procedimentos particulares”, o que já acontece com o Canadá.

Depois há a via de mudanças de tratados, sobre a qual o vosso cronista já expressou a sua opinião neste espaço . Para criar formalmente a figura jurídica de "Membro Associado" (algo já sugerido pela França e Alemanha para a criação de uma Comunidade Política Europeia, onde seria incluída a Ucrânia) é necessário alterar os Tratados. Isso requer a ativação do Artigo 48.º do TUE (Procedimento de Revisão Ordinária) e necessita do acordo unânime dos 27, alcançado numa conferência de representantes dos governos dos Estados-Membros, após uma Convenção, o que pode exigir uma ratificação nacional (que, em alguns países, significa realizar um referendo).

Como de costume, houve logo quem, na UE, viesse a público, mas anonimamente , dizer que tal ideia não é só “perigosa” como “imprudente”, que as capitais europeias não tinham sido incluídas em tais discussões, e que é algo bastante impraticável. Como acontece nestas situações, quando se mostra iniciativa, é porque se mostra iniciativa; quando não se o faz, é porque não se o faz. O vosso cronista é crítico o suficiente da Presidente da Comissão, mas, neste caso, o “ultraje” que seguiu o discurso de von der Leyen parece-me mais para ser consumido pela imprensa especializada na “bolha” de Bruxelas.

Já uma crítica mais substancial foi dirigida à proposta de criação de um Conselho de Segurança Europeu, que incluiria o Canadá, assim como o Reino Unido, a Ucrânia e a Noruega.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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