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Mortágua defende teto às rendas e recusa que a ganância seja "um argumento que aceitamos no debate público"

CNN Portugal ·
Mortágua defende teto às rendas e recusa que a ganância seja "um argumento que aceitamos no debate público"

Mariana Mortágua defendeu esta segunda-feira na CNN Portugal a implementação de um teto às rendas em Portugal para fazer face à crise no setor da habitação.

“Eu acho que o teto às rendas, neste momento, é prioritário para o mercado do arrendamento. Do ano passado para este ano, nos novos contratos de arrendamento, o preço subiu 10%, 10%. Eu peço que as pessoas olhem para o seu salário há um ano e olhem para o seu salário hoje e que vejam se recebem mais 10% hoje do que recebiam há um ano”, apontou a ex-coordenadora do Bloco de Esquerda, que rejeita a ideia de que a medida retira casas do mercado.

“Porque é que uma pessoa que pode ganhar um preço razoável para uma casa, 600 euros, 700, 500, prefere não ganhar nada e ter a sua casa fechada só porque não pode fazer uma renda especulativa? Desde quando é que a ganância se tornou a forma de nós nos organizarmos em sociedade e se tornou um argumento que nós aceitamos no debate público? Eu acho que não podemos aceitar esse argumento”, defendeu Mortágua

A antiga deputada bloquista criticou também a lei do arrendamento que o Governo pretende aprovar no Parlamento, que afirma que “não verá a luz do dia” após os protestos em Lisboa e no Porto e a mudança de posição de André Ventura.

“Bastaram estas semanas de protestos para, aparentemente, André Ventura, que tem a espinha dorsal de um ser invertebrado, ter já mudado de opinião e ter deixado cair o seu apoio, ou pelo menos a sua posição tolerante, face à lei do arrendamento do Governo. Eu acho que os protestos já estão a ganhar por isso” diz Mortágua.

A ex-coordenadora do Bloco considera também que o movimento transcende a causa da habitação.

“Eu acho que este movimento tem pernas para ir muito longe, até porque a crise que motiva estes protestos vem-se a acumular há uma série de anos e as suas consequências estão à vista”, declara. “Acho que é um conjunto de circunstâncias sociais que se têm vindo a acumular ao longo do tempo sem que tenham tido uma expressão social condizente. (…) O aumento do preço das casas é brutal, quer para quem compra como para quem arrenda, e afeta a vida de todas as gerações e de todas as pessoas que trabalham em Portugal, e nós não temos visto nenhuma medida para conter o preço das casas”, acrescenta.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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