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Combate ao narcotráfico. "Não faltam meios, o que falta é estratégia"

Notícias ao Minuto - País ·
Combate ao narcotráfico. "Não faltam meios, o que falta é estratégia"

A Associação de Inspetores e Chefes da Polícia Marítima avançou com uma ação contra o Estado e a Armada , por acreditar que esta polícia está "num caos total", devido à asfixia financeira e "ingerência ilícita" do Chefe do Estado-Maior.

No entanto, para o antigo chefe do Estado-Maior da Armada Henrique Gouveia e Melo o problema não é a falta de homens nem de embarcações nas autoridades para combater, por exemplo, o narcotráfico, é a falta de "estratégia e persistência".

Em entrevista à Renascença , questionado sobre o que é preciso para se resolver o problema do narcotráfico em Portugal, o almirante começou por salientar que o combate a este tipo de crime "tem tido bastante sucesso" e que, por isso, "não é um problema de falta de meios humanos ou bens materiais".

"Há um incremento da atividade e há, necessariamente, o sucesso das apreensões o que significa que nós estamos mais capazes de lutar contra esse tipo de atividades", adiantou, lembrando que o "narcotráfico é das atividades mais disruptivas do tecido social e do tecido económico de um país" e temos de "a encarar com uma ameaça importante, porque essa ameaça, tal como as ameaças híbridas e o terrorismo - muitas vezes interligadas -, destrutura verdadeiramente a sociedade".

Por isso, "temos de pôr a energia, a capacidade de organização, os meios, quer humanos, quer materiais ao serviço desse combate".

Mais do que meios, que Gouveia e Melo defende que não faltam, "falta muitas vezes é estratégia, persistência" . No entanto, "se fizermos todos o nosso trabalho, dificultamos a linha de entrada nesse negócio. Tirando esses atores do sistema, temos menos droga nas ruas, menos recursos, criando mais crime e criando lavagem de dinheiro".

Outra das soluções defendidas pelo almirante durante a entrevista à rádio católica passa por alterações na lei, que permitam facilitar a apreensão de certas embarcações como lanchas rápidas.

Para Gouveia e Melo, é "incompreensível" que estas mudanças legislativas demorem "demasiado tempo" e permitam aos fabricantes mudar as rotas de Espanha para Portugal e aproveitar os diplomas menos exigentes.

"Qual é a necessidade de termos embarcações que andam a mais de 30 nós na água? É por diversão? As pessoas gostam de andar aos saltos dentro d'água? Essas embarcações deviam ser proibidas, claro, para determinados fenómenos como corridas, mas seriam autorizadas muito pontualmente. A legislação para proibir essas embarcações demorou imenso tempo. Ainda hoje, não é perfeitamente clara. Temos de ser mais duros", concluiu.

Na embarcação estavam 11 tripulantes, que foram imediatamente detidos. Ao que tudo indica, foi "maior número de elementos capturados até agora numa narcolancha" em Portugal.

Uma lancha de alta velocidade ligada ao narcotráfico foi capturada na área da barra do estuário do Tejo, na noite de quarta-feira, 16 de setembro, com 11 tripulantes a bordo. Os suspeitos foram detidos.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.noticiasaominuto.com — o conteúdo pertence a Notícias ao Minuto - País.

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