Líder do Livre acusa Governo de arrogância
A porta-voz do Livre Isabel Mendes Lopes acusou este sábado o Governo de arrogância ao recusar negociar em vários domínios, nomeadamente no Orçamento do Estado, mas afirmou que o seu partido não desistirá de fazer uma “oposição construtiva” .
Isabel Mendes Lopes falava aos jornalistas à margem da rentrée política do Livre, intitulada “Os Setembristas”, que decorre até domingo, na Alfândega do Porto, numa edição focada na formação e preparação de quadros.
Durante a manhã, o partido organizou mesas redondas de debate sobre vários temas, incluindo “como fazer oposição construtiva e ganhar influência política sem estar no executivo”.
Interrogada sobre como atingir este objetivo com o atual Governo PSD/CDS-PP, Isabel Mendes Lopes acusou o executivo de escolher “cirurgicamente com quem quer conversar, muitas vezes com quem depois diz que não tem confiança” , numa referência ao Chega.
“O Governo continua sem perceber que está em minoria e que tem que dialogar com todos os partidos da Assembleia da República”, advogou.
A também líder parlamentar referiu que, no próximo mês, o parlamento dará início ao processo de discussão da proposta de Orçamento do Estado para 2027, “com um Governo que disse ainda há umas semanas que não havia margem orçamental e que os partidos não podiam apresentar propostas alternativas”.
“De repente põe em cima da mesa um bónus para os pensionistas, quando deveria trabalhar em medidas estruturais de aumento das reformas , e uma baixa do IRS e ainda nos vem dizer que ainda há menos margem orçamental”, criticou, acusando o executivo de estar a limitar e “esvaziar” o trabalho da Assembleia da República nesta matéria — crítica que o Livre também fez no ano passado.
Na ótica de Isabel Mendes Lopes, “isto mostra a arrogância com que o Governo governa”.
“Da parte do Livre, nós nunca desistiremos de fazer uma oposição construtiva porque acreditamos que a política deve ser feita dessa forma. Mesmo que discordemos profundamente, temos de nos saber sentar à mesa e discutir as ideias”, realçou.
A porta-voz do Livre insistiu ainda no objetivo do partido de se assumir como uma força política “pronta para governar”, seja à escala nacional ou local.
“O Livre sempre foi muito claro desde o aparecimento do partido, nós queremos ser solução também em cargos executivos, queremos ter o poder de efetivamente mudar a vida das pessoas”, realçou.
O Livre reúne-se no Porto após um congresso que elegeu como porta-vozes Isabel Mendes Lopes e Jorge Pinto e num momento em que o partido tenta cimentar o crescimento dos últimos atos eleitorais, nomeadamente a nível autárquico.
Durante a manhã, num painel dedicado a “estratégias de comunicação”, Isabel Mendes Lopes realçou que o grande desafio atual do partido é “fazer o Livre crescer para se afirmar como alternativa governativa”, o que passa pela comunicação das suas propostas, quer a nível nacional quer também à escala local.
Bernardo Vidal, membro do executivo da junta de freguesia de Arroios, em Lisboa, realçou que é importante o Livre ter uma imagem própria e reconhecível: “Ainda não há um «vê-se mesmo que é do Livre», como acontece com o PCP, por exemplo”.
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