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A arte imperfeita de Amelie Von Wulffen e os fantasmas do nazismo

Diário de Notícias ·
A arte imperfeita de Amelie Von Wulffen e os fantasmas do nazismo

“Não consigo pensar quando tenho pessoas à minha volta”, diz Amelie Von Wulffen, explicando que não tem assistentes no seu ateliê, trabalha sozinha.

O que também explica a escolha dos materiais que utiliza na sua produção artística, por exemplo, nas suas esculturas – ou dummies , como as designa o curador Bruno Marchand –, feitas de papel maché.

“É um material muito fácil de trabalhar, que consigo produzir sozinha.

Não preciso de saber muito sobre escultura e também não é muito pesado.

Normalmente, não tenho assistentes no ateliê e não gosto de depender de outras pessoas”, diz a artista ao DN, no âmbito de uma visita antecipada a Panic Realism , a exposição que abre as portas ao público este sábado, 17 de outubro, na Culturgest.

Trata-se da primeira exposição em Portugal da artista que vive e trabalha em Berlim, e uma das mais extensas dos últimos anos, com mais de cem obras, sobretudo da última década, entre pintura, desenho e escultura.

Bruno Marchand, que conheceu o trabalho da artista numa exposição em Bruxelas, considera que Amelie Von Wulffen “ocupa um lugar particular no campo da produção artística”, porque as suas obras tanto refletem o universo pessoal, como configuram um olhar sobre o que se passa no mundo.

“Ela está sempre a deslizar entre um campo e outro.

Entre aquilo que é o seu campo interior, o lugar do trauma, do desejo, da biografia e, por outro lado, aquilo que está acontecer no mundo exterior , que tem que ver com dinâmicas políticas, com questões sociais, com dinâmicas de grupo.

Toda a sua obra circula por este campo cinzento e em que muitas vezes sobrepõe estas duas realidades”.

Muitas das pinturas de Amelie Von Wulffen evocam figuras e cenários de uma burguesia conservadora da qual ela provém, incluindo da família.

Diz a artista que é uma forma de ela lidar com um “segredo” que veio a conhecer recentemente após a morte dos pais.

“Senti uma grande pressão para abordar a história alemã, porque venho de uma família com raízes culturais muito conservadoras.

A minha mãe representava muito uma determinada forma de pensamento conservador e também nacionalista.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.

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