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Moçambique "não pode ficar à espera do gás natural" para se desenvolver

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Moçambique "não pode ficar à espera do gás natural" para se desenvolver

O ministro da Planificação e Desenvolvimento defendeu hoje que Moçambique deve acelerar o crescimento económico através da agricultura, indústria e turismo, já que "não pode ficar à espera do gás natural" para impulsionar o desenvolvimento.

Intervindo na 23.ª Sessão do Observatório de Desenvolvimento, em Maputo, Salim Valá recordou a previsão de crescimento económico de 1,6% em 2027, com aceleração para 9,5% em 2029 impulsionada pelo arranque dos grandes projetos de produção de gás natural liquefeito, mas advertiu que o país não pode esperar por esses investimentos para resolver os seus desafios de desenvolvimento.

"Moçambique não pode ficar à espera do gás natural", enfatizou, sublinhando que a economia deve crescer a partir dos setores que já hoje empregam a maioria dos moçambicanos.

"Temos de fazer crescer, desde já, a economia onde trabalha a maioria dos moçambicanos: a agricultura, as pequenas e médias empresas, a agroindústria, o turismo, as infraestruturas tão necessárias para melhorar o ambiente de negócios, a logística de transportes, a digitalização e os serviços", disse.

Para Salim Valá, a prioridade passa por "edificar e fortalecer uma economia cada vez mais diversificada, que se transforme na sua estrutura e que seja mais autónoma".

A posição foi defendida no contexto da proposta do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) para 2027, aprovada na terça-feira pelo Conselho de Ministros, prevendo receitas de 427 mil milhões de meticais (5,9 mil milhões de euros), equivalentes a 23,5% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto as despesas e operações financeiras deverão atingir aproximadamente 511 mil milhões de meticais (7,1 mil milhões de euros), valendo 28,1% do PIB.

O executivo estima, assim, um défice orçamental de cerca de 83 mil milhões de meticais (1,2 mil milhões de euros), equivalentes a 4,6% do PIB, num quadro macroeconómico que aponta para uma inflação média anual de 7% em 2027.

De acordo com o Governo, a proposta assenta na consolidação fiscal, sustentabilidade da dívida pública, mobilização de receitas internas e melhoria da eficiência da despesa pública, mantendo o foco nos setores da agricultura, indústria, energia, transportes, estradas, educação, saúde e proteção social.

Entre as medidas previstas constam a operacionalização do Banco de Desenvolvimento de Moçambique para financiamento de longo prazo aos setores produtivos, a continuidade do Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), com uma dotação de 1,5 mil milhões de meticais (21 milhões de euros), e a implementação do programa ProMulher, que contará com 500 milhões de meticais (sete milhões de euros) destinados ao empreendedorismo feminino.

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