A batalha pelos livros
A revista francesa “L’Express” anuncia, esta semana, em capa, “o fim da leitura”.
Os danos apresentados são maiores do que calculamos: enfraquecimento da capacidade cognitiva, empobrecimento da vida democrática, perda de memória histórica e da capacidade interpretativa do presente e consequências económicas e profissionais expressivas.
O tempo dedicado à leitura de livros está a diminuir drasticamente.
Em contrapartida, o tempo gasto com ecrãs aumenta de modo significativo.
Pendurados em periféricos móveis, habituamo-nos a percorrer títulos, mensagens, notificações, estando cada vez menos disponíveis para leituras extensas, argumentações longas, ideias abstratas ou subtilezas nos discursos.
A atenção sempre dispersa provocada pelas redes sociais não se compagina com a concentração que a leitura de livros impõe.
A procura constante de respostas imediatas diminui a tolerância à dúvida.
E, sem tempo para pensar, é difícil construir pensamento próprio.
Há ainda uma outra dimensão menos evidente que o livro proporciona: ajuda-nos a compreender melhor os outros.
Ao acompanharmos personagens, épocas e experiências muito diferentes das nossas, somos convidados a habitar perspetivas que não escolheríamos de forma espontânea.
Em contextos laborais, estas competências não devem ser desvalorizadas.
A última edição da revista “The Spectator” também fala de livros, mas circunscreve o ângulo aos manuais escolares, interrogando se as crianças devem aprender através de livros impressos ou através de plataformas e aplicações digitais.
A questão reflete a crescente contestação aos ecrãs que tem levado diferentes sistemas escolares a também colocarem limitações ao uso do telemóvel na escola.
Ver este tema em destaque nos média noticiosos é muito importante para percebermos bem as consequências de certos consumos ou de certas decisões políticas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rtp.pt — o conteúdo pertence a RTP Notícias.