Diretor da CIA foi a Moscovo para avisar Putin de que guerra está a correr-lhe mal
O diretor da CIA, John Ratcliffe, foi a Moscovo avisar a Rússia de que a sua posição militar e económica no conflito com a Ucrânia só tem espaço para se deteriorar, caso o Kremlin se recuse a participar em negociações de paz sérias.
Os novos detalhes da viagem envolta em secretismo estão a ser avançados pelo New York Times, que garante que o alerta foi transmitido diretamente ao chefe do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB), Aleksandr Bortnikov, segundo atuais e antigos responsáveis norte-americanos citados pelo jornal.
A visita "constitui a mais recente tentativa da administração Trump para reativar as negociações que se encontravam num impasse", escreve o NYT.
A avaliação de Ratcliffe destacou o preço elevado que a Rússia tem pago pelos avanços territoriais limitados na Ucrânia, dando força às declarações que proferiu no mês de julho quando adiantou que a esperança média de vida de um soldado russo na linha da frente era de “menos de 35 minutos”. As poucas conquistas que as forças russas conseguiram explicam-se pelo “domínio” da tecnologia de drones por parte da Ucrânia.
Face às alegadas perdas significativas da Rússia, Ratcliffe disse a Bortnikov que, tendo em conta a perspetiva militar e económica cada vez mais sombria da Rússia, Moscovo devia voltar a sentar-se à mesa de negociações com o intuito sério de pôr fim à guerra, antes que a sua posição piore ainda mais.
De acordo com o NYT, os analistas da CIA questionam há algum tempo a veracidade dos dados transmitidos a Vladimir Putin, nomeadamente se os conselheiros do presidente lhe estão a fornecer uma imagem honesta da evolução da guerra e da dimensão das perdas russas no terreno.
Foi por isso mesmo, dizem os fontes americanas citadas, que foi planeada a invulgar visita de um diretor da CIA à capital russo - algo que não acontecia desde 2021 -, na esperança de que Putin levasse mais a sério a mensagem transmitida pelo chefe das secretas norte-americanas.
A estimativa norte-americana choca de frente com a tese defendida pelo presidente Donald Trump e por alguns dos seus principais conselheiros no ano passado, segundo os quais a vitória russa seria inevitável, devido ao seu arsenal nuclear e maior população.
O Kremlin confirmou que Ratcliffe manteve conversações com altos responsáveis dos serviços de informação russos. O chefe das secretas russas, Sergei Naryshkin, também afirmou que se reuniu com o responsável norte-americano, descrevendo as conversações como uma reunião de trabalho.
Dmitry Peskov garante que Putin foi informado sobre o resultado das reuniões, uma vez que não participou em nenhuma delas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.