Zelensky teme que Trump levante mais sanções à Rússia: "Vai continuar"
O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse hoje temer que o levantamento temporário das sanções norte-americanas contra a Rússia seja o primeiro passo de mais medidas favoráveis a Vladimir Putin.
"Lamentavelmente, o levantamento das sanções vai continuar.
Acredito que o acordo sobre o gasóleo é o primeiro passo", afirmou, em declarações aos jornalistas após regressar de Bruxelas, onde participou na sexta-feira na cimeira europeia.
Sublinhando que "não se pode deter Putin desta forma", Zelensky considerou que, pelo contrário, o Presidente russo "sente alegria e satisfação ao ver que conta com esse apoio.
Volodymyr Zelensky agradeceu ao Congresso dos Estados Unidos a aprovação, em setembro, da lei Lindsey Graham de sanções contra a Rússia e afirmou que suspender a sua aplicação foi um erro.
"Estou grato aos amigos no Congresso que apoiaram esta lei.
Foi uma grande vitória.
Existe realmente um apoio bipartidário a esta legislação e, agora, a decisão de anular tudo isto, de o bloquear, parece-me errada", lamentou, insistindo que o levantamento das sanções "só ajuda os russos" e "com certeza não para a guerra".
O Presidente ucraniano disse ainda ter esperança de que Trump "faça tudo o que for possível para que Putin pare de matar, interrompa os ataques contra o setor energético da Ucrânia e ponha fim a esta guerra", mas reiterou que esse objetivo não pode ser alcançado limitando a capacidade de a Ucrânia responder à Rússia "e muito menos levantando as sanções".
Zelensky já tinha lamentado na rede social X que Trump tenha decidido "ignorar por completo a lei Lindsey Graham".
A decisão de Trump afeta uma lei batizada com o nome do falecido senador republicano Lindsey Graham, que foi um dos maiores defensores da Ucrânia no Congresso dos Estados Unidos, e que procura endurecer as sanções contra a economia russa e limitar a máquina de guerra que financia a agressão contra o país.
"Esta lei poderia ter sido de grande ajuda, e ainda pode ser, mas tem de ser aplicada de verdade, e cada voz que se levante em seu apoio é importante", frisou Zelensky.
O líder ucraniano referia-se à decisão de Gregory W.
Meeks, membro do Partido Democrata na Comissão de Negócios Estrangeiros da Câmara dos Representantes, que apresentou na sexta-feira um projeto de lei bipartidário para proibir "o acordo corrupto do presidente Trump com [o presidente russo] Vladimir Putin para comprar e importar gasóleo russo", segundo um comunicado do próprio representante.
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