Reparação naval dispara. Já há estaleiros nacionais a recusar navios
A reparação naval é um negócio de efeito sanfona: ora faltam navios para reparar, ora faltam docas para os receber.
“O primeiro semestre foi muito lento”, explica Nuno Antunes dos Santos, vice-presidente da Lisnave, ao Jornal Económico.
Muitos navios ficaram retidos no Golfo Pérsico e outros estavam a operar com fretes tão elevados que os armadores preferiram mantê-los no mar.
Foram pedidas extensões dos certificados, mas o limite está agora a ser atingido.
“Os navios têm de entrar em doca seca para reparações e inspeções periódicas e muitos vão ter de parar ao mesmo tempo”, diz.
O resultado já se sente.
A Lisnave, que trabalha para o mercado internacional, está a recusar alguns pedidos por falta de disponibilidade de doca seca.
A enorme oscilação obriga os estaleiros a manter estruturas de custos flexíveis e a recorrer a trabalho subcontratado.
Em Portugal, o mercado anual da reparação naval ronda os 250 a 300 milhões de euros, avança Mário Pinho, Secretário-Geral das Indústrias Navais (AIN), acrescentando que em 2024 atingiu 273 milhões, com cerca de 220 milhões gerados pelas três maiores empresas.
Portugal tem uma carta forte para jogar neste negócio: a geografia.
“Estamos plantados aqui quase no meio do Atlântico e estamos no cruzamento de muitas rotas”, diz Nuno.
Passam mais de 300 navios por dia em frente à costa portuguesa.
O clima também ajuda: chover menos do que no Norte da Europa é uma vantagem para operações como a pintura dos navios.
Mas a Turquia é a grande ameaça.
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