Gritos na praça, vazio nas propostas
Entramos no outono, e com a regularidade das castanhas, as Praças enchem-se.
São os mesmos de sempre, com as faixas de sempre, a exigir as soluções de sempre: congelar, tabelar, expropriar, proibir.
E, no fim, colhemos os resultados de sempre: violência, destruição de propriedade pública e privada, tomada das manifestações pelos partidos dos extremos e infelizmente nada de verdadeiramente consequente para a resolução do problema acontece.
Se fossemos seguir a narrativa ouvida as casas (tão necessárias) não aparecem, o mercado de arrendamento colapsa, pois, o investimento evapora! Mas face ao sucesso mediático da manifestação, marca-se mais uma para a semana seguinte para vociferar contra mais um problema deste mundo profundamente injusto.
Comecemos por uma análise de números, oficiais, que é coisa aborrecida, mas honesta.
Entre 2000 e 2013, os preços reais das casas em Portugal caíram cerca de 32%, segundo os dados da OCDE.
No mesmo período, em Espanha, subiram aproximadamente 21%.
Durante mais de uma década, a habitação portuguesa desvalorizou-se em termos reais, a construção entrou em colapso e muitas empresas desapareceram.
Os números do INE são ainda mais eloquentes: em 2002, Portugal concluiu quase 126 mil casas novas; em 2015, apenas 7 mil.
Uma queda de 94%.
Entretanto, os preços começaram a recuperar a partir de 2013, mas a construção permaneceu durante anos em níveis historicamente baixos.
Quando a procura regressou em força, encontrou um país que tinha perdido grande parte da sua capacidade de construir.
A crise da habitação não nasceu simplesmente de uma súbita ganância dos senhorios.
É também a fatura de mais de uma década de desinvestimento na construção, seguida de uma recuperação da procura que a oferta não conseguiu acompanhar.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.