"Um grande sucesso". Como a Ucrânia quebrou a "pinça" russa sobre o "cinturão de fortalezas" de Donetsk
Durante meses, foi mantida no mais alto dos segredos. Nem mesmo as fontes mais bem informadas com ligações às Forças Armadas ucranianas reportaram o que se passava. Do outro lado, o silêncio era semelhante, embora por motivos diferentes. Uma das unidades mais famosas da Ucrânia lançava uma campanha de vários meses com o objetivo de cortar uma das "pinças" que tentava cercar o "cinturão de fortalezas" ucranianas no Donbass. Ao longo de várias semanas, vaga após vaga coordenada de veículos robotizados no chão e no ar, Kiev semeou o caos absoluto atrás das linhas russas, abrindo caminho à recuperação de mais de centenas de quilómetros quadrados numa área fundamental da linha da frente.
"Esta operação tem tido um enorme sucesso e devido à segurança das operações [OPSEC]. Esta segurança das operações manteve as operações em segredo, com técnicas de simulação, de dissimulação, utilização intensa de bombardeamentos sobre as linhas logísticas russas, degradando a sua capacidade em termos de acesso a combustível para que os geradores pudessem alimentar os sistemas de drones", explica o tenente-general Rafael Martins.
O nome de código escolhido pelas chefias militares não foi deixado ao acaso. A missão recebeu o nome de "Operação Vivaldi", em referência direta à célebre partitura "As Quatro Estações" do compositor italiano. Isto porque o plano foi desenhado ao pormenor para se desenrolar em quatro atos distintos, um após o outro. Durante meses, os serviços de informações militares recolheram informações acerca das posições russas a norte e a noroeste de Lyman, na região de Donetsk.
As forças russas estavam a concentrar grandes esforços e a utilizar uma enorme quantidade de recursos a sul, nos arredores da cidade de Pokrovsk e de Dobropillia, numa tentativa de cercar o mais importante aglomerado urbano ucraniano no Donbass, o chamado "cinturão de fortalezas", composto por Sloviansk, Kramatorsk, Druzhkivka e Kostiantynivka. O Kremlin quer evitar um assalto frontal a estas localidades a todo o custo, ciente de que o desgaste humano e material seria insustentável. Mas Kiev antecipou-se onde as chefias russas menos esperavam: a norte.
O plano de Moscovo assentava num duplo envolvimento clássico. Enquanto a pinça sul procurava romper a partir de Pokrovsk e Dobropillia, a pinça norte descia do saliente de Lyman em direção ao rio Siverskyi Donets. O objetivo passava por colocar sob alcance direto de artilharia e de drones suicidas FPV eixos logísticos vitais para a sobrevivência da defesa daquelas cidades, como a autoestrada Izium–Sloviansk.
To enable the "Vivaldi" operation, Ukraine's 🇺🇦 3rd Army Corps launched a continuous number of mid-range strikes against Russian 20th/25th CAA logistics
In this video, only a small part of their work is shown, which helps understanding how Ukraine is using the strikes in depth… https://t.co/5Z5ng5ByZM pic.twitter.com/OjpnzzoSKd
"Os russos tentaram cercar o adversário a partir do sudoeste, nas áreas de Pokrovsk e Dobropillia, avançando para norte e nordeste. Em simultâneo, a nordeste de Sloviansk, tentaram progredir para oeste e sudoeste para ligar as duas forças.
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