De Nova Iorque a Milão, o calçado português que corre a moda
Entre os stands de calçado dos mais variados tipos, com cores, brilhos, ráfias, borrachas e padrões, e entre pessoas das mais variadas nacionalidades e estilos, o preto dos Ernest W. Baker não passa assim tão despercebido. Encontrámos a dupla de designers portuguesa a conversar com o representante da Profession: Bottier, um dos mais de 30 expositores portugueses na MICAM , a feira de calçado internacional de Milão. E stiveram na Milano Unica, a feira têxtil de Milão, e ficaram para visitar não só esta exposição como a Lineapelle , a feira especializada em matérias-primas, especialmente couros. “Costumamos visitar as feiras para ver as novidades e falar com os fornecedores”, conta Inês Amorim ao Observador. “Gostamos de manter relações com os produtores, mesmo que não estejam a produzir para nós”, destaca Reid Baker, o segundo nome por trás da marca que apresenta na Semana da Moda de Paris e vem conquistando cada vez mais espaço em Hollywood .
Os Ernest W. Baker são um exemplo de como Portugal chega aos circuitos da moda internacionais — uma marca própria e com produção totalmente nacional, assim como os Marques’Almeida em Londres ou Miguel Vieira em Milão. Mas não são os únicos — mas também nomes internacionais escolhem o calçado português para fazerem parte dos seus desfiles e coleções.
Nos últimos dias, durante a Semana da Moda de Nova Iorque, os sapatos nacionais desfilaram pelo menos quatro vezes — na coleção primavera-verão do designer mexicano Patricio Campillo , que voltou a colaborar com a Mariano Shoes ; nas criações de Daniella Kallmeyer com a JJ Heitor ; na proposta de Johnson Hartig para a Libertine em parceria com a marca portuguesa Helena Mar ; e ainda na estreia da colaboração entre Henry Zankov , diretor criativo da Diane von Furstenberg, com Luís Onofre . A coleção em nome próprio que é também a primeira de sapatos da marca, segue a linha estética dos anos 1960 e as memórias pessoais do designer, de origem russa. Sandálias rasas dividem espaço com saltos e plataformas, em que o ponto chave são as cores — cerca de 30 pares produzidos em três semanas, com um encontro entre os designers russo e português, no Porto, em junho.
Ainda em junho, o designer Saul Nash já havia apresentado uma parceria com a Toworkfor , uma empresa de calçado técnico de segurança, em que as botas e ténis combinam a estética e a funcionalidade. No início do ano, Willy Chavarria levou sapatos Mariano e Luís Onofre para o desfile em Paris, que incluiu uma participação de Romeo Beckham. Em outubro, o calçado português volta às passerelles da capital francesa, com a primeira colaboração da PC footwear com Alainpaul , a dupla de designers que em 2025 foi finalista do prémio LVMH.
Uma junção entre roupa e sapatos que, para a Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seu Sucedâneos (APICCAPS), é estratégia essencial para elevar o conceito do “made in Portugal”. Até o final do ano serão perto de 20 desfiles entre as várias parcerias de designers internacionais e empresas portuguesas. “Vamos estar nas quatro principais semanas de moda internacionais. Londres, Milão, Paris e Nova Iorque.
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