quarta-feira, 19 de agosto de 2026 PortaisSobre🌓
🇵🇹 PT ▾
ÚLTIMA HORA
Últimas

Como Zelensky está a ser pressionado em pleno tempo de guerra e na altura em que menos precisa

CNN Portugal ·
Como Zelensky está a ser pressionado em pleno tempo de guerra e na altura em que menos precisa

É o maior desafio que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, enfrenta até agora a nível interno. Mas, na prática, é provável que não dê em nada.

O apelo do ex-ministro da Defesa Mykhailo Fedorov à realização de eleições presidenciais durante a guerra atinge o cerne das vulnerabilidades de Zelensky. A sua popularidade em queda, as mudanças de posição relativamente a decisões importantes sobre membros do Governo e o seu envolvimento em alegações de corrupção têm pesado nas suas avaliações nas sondagens. Na quarta-feira, foi anunciada uma investigação a altos responsáveis do gabinete de Zelensky. Além disso, um presidente em tempo de guerra há seis anos ininterruptos tem de tomar muitas decisões impopulares.

Agora, o jovem rosto do reformismo - Fedorov, o génio tecnológico e antigo ministro da Defesa que foi afastado por tentar combater os velhos hábitos, obscuros e corruptos - exige algo puro e democrático: uma votação. "A democracia não pode ser mantida refém pela Rússia. Estamos a lutar precisamente porque queremos continuar a ser um Estado europeu livre", afirmou, num discurso notável de nove minutos, proferido momentos depois de um novo ministro da Defesa - não ele, que queria regressar ao cargo - ter sido confirmado. Mas, como muitas coisas em tempo de guerra, não é assim tão simples.

Uma votação é, na realidade, praticamente impossível. A maioria dos especialistas eleitorais concorda que, mesmo em tempo de paz, a Ucrânia precisaria de seis meses para implementar reformas legislativas e preparar a tecnologia necessária para realizar uma votação que cumprisse os padrões europeus. Mas não há qualquer cessar-fogo ou fim dos combates à vista. Realizar uma eleição incompleta, ou uma que alimentasse qualquer narrativa de que o vencedor é ilegítimo, seria um enorme presente para Moscovo. Alheio ao seu próprio processo eleitoral encenado, o Kremlin tem repetidamente promovido a ideia de que a proibição de eleições na Ucrânia sob lei marcial significa que Zelensky é ilegítimo.

Uma votação poderia também paralisar completamente Kiev: o lado derrotado poderia atrasar as reformas legislativas e minar a presidência a cada passo. Seria uma derrota a partir de dentro.

Fedorov ganhou notoriedade como um génio da inovação. Poderiam competências semelhantes transformar o processo eleitoral e tornar possível o voto à distância em tempo de guerra? É possível. Mas até uma votação digital que, de alguma forma, conseguisse incluir todos os militares ucranianos destacados na linha da frente - e é importante recordar que há milhares de ucranianos desaparecidos em combate, cujo estatuto permanece por esclarecer - exigiria um mecanismo que certamente excluiria os milhões de pensionistas ucranianos que vivem offline.

O que dizer dos ucranianos que vivem em territórios ocupados ou dos milhões que vivem no estrangeiro como refugiados? Como poderiam ser organizadas fisicamente eleições totalmente seguras em dezenas de consulados por toda a Europa e além? Um soldado na linha da frente, preso num abrigo com comunicações precárias, teria tempo suficiente para estudar as opções e votar? Ou deveria estar ocupado a defender a sua pátria?

Seria um caos absoluto.

Ler a notícia completa no CNN Portugal ›

Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

Mais de CNN Portugal

Ver tudo ›

Mais em Últimas

Ver tudo ›