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"Deixem lá o cancro, vão morrer de outras coisas"

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"Deixem lá o cancro, vão morrer de outras coisas"

Manuel Sobrinho Simões, médico e investigador português, foi um dos oradores da CNN Portugal Summit sobre a longevidade que decorreu, na sexta-feira, na Alfândega do Porto.

Em palco, à conversa com a médica Rita Fontes Oliveira, o especialista falou sobre a relação entre o envelhecimento e o cancro e sobre os desafios que o aumento da esperança de vida pode trazer.

Questionado sobre se é possível aumentar a longevidade sem aumentar também o risco de cancro, Sobrinho Simões foi direto: "Vai aumentar imenso."

O investigador explicou que, à medida que as pessoas vivem mais anos, também aumenta a probabilidade de existirem alterações cancerígenas. Mas isso não significa necessariamente que esses tumores venham a provocar a morte.

"Se a pessoa morrer até aos 100 anos, só morrer aos 100 anos, quando a gente for ver, eles têm muitos cancros pequenos, mas não morreram de cancro", afirmou.

É neste contexto que Sobrinho Simões relativiza o peso que o cancro poderá ter numa vida mais longa. "Deixem lá o cancro, vão morrer de outras coisas quaisquer", afirmou.

A ideia, para Sobrinho Simões, é que a longevidade não deve ser pensada a partir da sobrevivência de uma célula isolada, mas da capacidade de preservar os tecidos e os órgãos.

"Eu, por exemplo, que sou um tipo que diagnostica o cancro, a minha aspiração era mesmo nós termos tecidos imortais", afirmou. "Portanto, nós termos a possibilidade, e no limite, ter órgãos também imortais."

É por isso que o investigador rejeita a ideia de procurar simplesmente células imortais. "Eu não quero uma célula imortal", afirmou, explicando que uma célula que sobrevive e prolifera sem respeitar os mecanismos de controlo pode dar origem a uma doença oncológica.

Sobrinho Simões destacou também a importância dos fatores ambientais e dos estilos de vida na origem do cancro. "Todos os cancros são genéticos, a maior parte dos casos são ambientais", afirmou, explicando que as alterações genéticas que estão na origem de muitos tumores são adquiridas ao longo da vida e não necessariamente hereditárias.

Segundo o médico e investigador, cerca de 40% dos cancros podem ser evitados através de prevenção primária, apontando fatores como a exposição solar, o consumo excessivo de álcool, o tabagismo, a alimentação e a inflamação crónica.

A atividade física foi outro dos temas abordados durante a conversa, com Sobrinho Simões a alertar para a importância de promover o exercício desde a infância.

"Os miúdos deixaram de saltar à corda", afirmou, defendendo que as crianças que têm atividade física são menos suscetíveis de desenvolver obesidade.

Já na velhice, considera que a mobilidade é um dos grandes desafios associados ao aumento da longevidade.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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