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O clero secular: como a fé cega nos ‘peritos’ substituiu a democracia (e a responsabilidade)

Diário de Notícias ·

Vivemos no momento de menor fricção informacional da História.

Em escassos segundos, qualquer cidadão ou decisor acede a relatórios oficiais, bases de dados e estudos de ponta – hoje sintetizáveis por IA em tempo real.

No entanto, o debate público capitulou perante uma passividade intelectual quase medieval, curvando-se após cada conferência de imprensa perante o “especialista” de serviço, repetido ad infinitum nas redes sociais pelos seus devotos (consoante a barricada ideológica em que se situem).

Há ainda outra receita mais retorcida: encomendam-se estudos técnicos aprofundados que, quando não concluem o que “dá jeito”, são atirados para a gaveta e envenenados no espaço público por ‘peritos’ de serviço capazes de pôr em causa até a mais elementar aritmética.

Todo este processo assenta numa fraude lógica.

Como David Hume demonstrou, a ciência empírica limita-se a descrever a realidade e a projetar probabilidades (“se alterarmos X, Y varia Z%”).

É estruturalmente incapaz de ditar o que deve ser feito ou que sacrifícios morais e económicos se justificam em seu nome.

Como Thomas Sowell insiste, em políticas públicas não existem soluções puras, apenas compromissos dolorosos ( trade-offs ).

Ao clamarem que “a ciência manda fechar a economia”, “aumentar impostos” ou alterar fronteiras, os governos praticam puro contrabando ideológico: usam o dogma TINA – There Is No Alternative – para mascarar opções políticas e fugir ao escrutínio eleitoral.

A isto soma-se a miopia epistemológica diagnosticada por Friedrich Hayek: nenhum comité centralizado domina o conhecimento prático e disperso dos milhões de cidadãos que sustentam a economia real.

O erro agrava-se com a “invasão epistémica” descrita por Nathan Ballantyne: figuras que acumulam prestígio num nicho laboratorial saltam para os ecrãs a ditar regras autoritárias sobre macroeconomia ou pedagogia, matérias cujos custos ignoram.

E, desprovidos de skin in the game , transferem todo o custo dos seus erros para a sociedade, enquanto mantêm estatuto e remunerações intactos.

O sistema subsiste porque alimenta o conluio entre poder político e jornalismo.

Os governos trocam a “política baseada em evidência” pelo “fabrico de evidência encomendada”, recrutando peritos para blindar decisões prévias.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.

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