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Pediram ajuda ao ChatGPT. As suas conversas acabaram em tribunal

CNN Portugal ·
Pediram ajuda ao ChatGPT. As suas conversas acabaram em tribunal

“O meu pai disse que vou receber uma indemnização de um milhão de dólares. Disse ‘se isso não te fizer feliz, o que fará?’. O que é que ele quer dizer com isso?”.

As palavras vêm do adolescente R.K.C., que recorreu ao ChatGPT à procura de ajuda – como milhões de pessoas todos os dias.

A diferença é que esta pergunta do rapaz acabou levada a tribunal, tornando-se pública, pelos advogados de defesa num processo movido pelo próprio contra a Meta, Snapchat, TikTok e YouTube.

O rapaz argumentava que as aplicações destas empresas o fizeram sofrer, durante anos, com o seu vício nas redes sociais e com problemas de saúde mental.

No final de julho, os advogados de R.K.C. chegaram a acordo com o Snapchat, o TikTok e o YouTube, desistindo depois do caso contra a Meta para que o rapaz não passasse por um “julgamento exaustivo durante semanas”. As empresas negam as alegações do queixoso.

R.K.C., de 15 anos, integra um número crescente de americanos que veem as suas conversas privadas expostas em tribunal. No caso dele, foi para defesa. Mas há outros em que as perguntas, sobre os mais variados campos da vida, são solicitadas por autoridades policiais, empresas ou outros rivais nos processos.

O The Washington Post compilou registos públicos e notícias para concluir que os registos de conversas com inteligência artificial foram referidos 12 vezes em processos na justiça nos últimos dois anos. Anda assim, é difícil saber com que frequência este material é utilizado, porque nem sempre estas provas são apresentadas em tribunal.

Já houve casos em que as empresas de inteligência artificial denunciaram utilizadores ao FBI. Há registo de, pelo menos, uma condenação. Em maio, a dona do ChatGPT contactou a polícia do condado de Palm Beach, na Florida, devido a um utilizador que repetia os seus planos para violar e assassinar a ex-namorada. O homem chamava-se Darren Zhou.

A polícia conseguiu, com base nas informações, identificar a mulher, descobrindo que Zhou lhe enviava mensagens anónimas desde o fim da relação. Foi detido, acusado de perseguição e ameaças telefónicas. Declarou-se culpado este mês. Foi condenado a oito anos com liberdade condicional.

A OpenAI – dona do ChatGPT – tem uma tecnologia que analisa as conversas em busca de sinais de comportamentos perigosos, que são sinalizados para revisão humana. Quando é identificado um “risco iminente”, há uma denúncia às autoridades.

A sensação de privacidade favorece a sinceridade dos utilizadores – o que, dizem os especialistas jurídicos ouvidos pelo The Washington Post, pode tornar estes registos mais ricos do que as provas digitais convencionais.

Os dados divulgados pela OpenAI mostram que os pedidos de dados de utilizadores por parte de agências governamentais e policiais estão a crescer muito rapidamente. No segundo semestre de 2025, foram divulgados dados de mais de 80 contas, quatro vezes mais do que no período homólogo.

Ainda assim, quando as conversas com a inteligência artificial chegam a tribunal, geralmente é porque a pessoa envolvida permitiu o acesso da polícia, nota o jornal – tal como acontece quando é solicitado à pessoa que autorize o acesso ao telemóvel.

Setembro de 2025.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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