Ministério Público confirma que vai recorrer da sentença do jovem acusado de instigar massacres no Brasil
O Ministério Público (MP) vai recorrer da sentença aplicada ao jovem português conhecido como "Mikazz".
O jovem, de 18 anos, recebeu uma pena de seis anos de prisão , após ser julgado por 240 crimes, entre os quais o de instigação a massacres no Brasil através da plataforma digital Discord .
"O Ministério Público vai recorrer do acórdão em referência", confirmou a Procuradoria-Geral da República (PGR) ao DN.
Os procuradores defendiam no julgamento uma "pena exemplar" no caso , que se tornou um marco no combate à radicalização de adolescentes no meio online.
No lançamento da campanha "Ódio online mata offline", da Polícia Judiciária (PJ) , as autoridades utilizaram a investigação a "Mikazz" como exemplo dos perigos da radicalização online.
Na época dos crimes, o jovem, morador de Santa Maria da Feira, tinha 16 anos.
Nesta conferência, foram apresentados detalhes da investigação, que foi exaustiva e incluiu a análise de terabytes de dados, viagens ao Brasil para falar com uma testemunha e recolher provas .
Houve uma estreita colaboração com as autoridades brasileiras, também preocupadas com o fenómeno da radicalização no meio digital.
A investigação apontou que Mikazz tinha uma vida dupla: morava com a família e frequentava um curso profissional.
No quarto, de portas fechadas, era líder do grupo online The Kiss , onde eram partilhados vídeos de tortura animal, pornografia infantil e conteúdos de misoginia.
De acordo com testemunhas, o jovem intitulava-se Goth (deus, em alemão) e tinha em casa propaganda nazi, apreendida pela PJ durante as buscas.
Um dos crimes pelos quais foi absolvido é o massacre de Sapopemba, ocorrido numa escola no Brasil, em outubro de 2023, que vitimou uma menina de 17 anos .
Relativamente a este episódio, o juiz presidente do tribunal deixou duras críticas à acusação.
Afirmou que "bastava que o MP tivesse lido o processo do Brasil", que foi remetido para Portugal, para concluir de forma evidente que a intervenção do arguido nestes factos foi praticamente nula.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.