Guterres "transformou o seu cargo numa ferramenta para atacar Israel"
D anny Danon, que já tinha atacado António Guterres anteriormente e acusado frequentemente a ONU de antissemitismo, afirmou que o discurso do diplomata português no debate geral da 81.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, foi uma "propaganda anti-israelita sob a bandeira das Nações Unidas".
"Transformou o seu cargo numa ferramenta para atacar Israel e destruiu a credibilidade da organização", afirmou numa mensagem publicada na rede social X.
Danon assistiu ao discurso de Guterres no Salão da Assembleia-Geral das Nações Unidas, onde decorre a partir de hoje o debate geral.
Durante aquele que foi o último discurso de abertura da Assembleia-Geral no cargo, o secretário-geral da ONU referiu-se ao processo sobre Gaza no Tribunal Penal Internacional (TPI), que utiliza o termo "genocídio", e afirmou que os colonatos de Israel na Cisjordânia fazem surgir "o fantasma da limpeza étnica".
"A violência, as deslocações forçadas e a expansão dos colonatos por parte de Israel na Cisjordânia ocupada estão a destruir o caminho para a paz e a fazer surgir o fantasma da limpeza étnica", afirmou Guterres.
O embaixador israelita classificou as declarações do secretário-geral como "insinuações escandalosas" e defendeu que "é hora de uma nova liderança", referindo-se à substituição de Guterres, que deixará o cargo no próximo dia 01 de janeiro.
Dando grande destaque à deterioração da paz e da segurança no mundo, o secretário-geral pediu, durante o seu discurso, que, no meio da turbulência que assola a região do Médio Oriente, não se perca de vista a "situação devastadora no Território Palestiniano Ocupado".
Abordando os quase três anos desde "os abomináveis ataques terroristas" do Hamas contra Israel em 7 de outubro, Guterres disse que o que se seguiu foi um ataque implacável contra os palestinianos em Gaza, "com uma escala de mortes e destruição sem precedentes" nos quase 10 anos que leva como secretário-geral.
O líder recordou que o Tribunal Internacional de Justiça emitiu medidas provisórias juridicamente vinculativas no caso intitulado: "Aplicação da Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio na Faixa de Gaza".
Num parecer consultivo emitido no ano passado, o Tribunal deixou claro que as Nações Unidas precisam de ter permissão para cumprir os seus mandatos em Gaza e que o seu pessoal e equipa humanitária devem ser protegidos.
Nesse sentido, o chefe da ONU defendeu que todas partes cumpram o Direito internacional e as ordens desse Tribunal.
Disse também que a violência, a deslocação e a expansão dos colonatos na Cisjordânia estão a destruir o caminho para a paz e a aumentar o espetro da "limpeza étnica".
"Não podemos permitir que a solução de dois Estados desapareça diante dos nossos olhos", defendeu.
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