"Uma única cimeira não resolve todos os problemas" - e duas também não. O que esperar do encontro entre Trump e Xi na Casa Branca
Acabado de aterrar em Maryland, o presidente chinês prepara-se para um novo encontro com o homólogo norte-americano, esta quinta-feira, na Casa Branca. É a segunda vez em menos de um ano que Xi Jinping e Donald Trump se encontram cara a cara – e a primeira vez que Xi faz uma visita oficial aos EUA em mais de dez anos, desde que foi recebido com pompa e circunstância pelo então presidente Barack Obama, em setembro de 2015.
Durante a sua visita de Estado a Pequim, em maio, Trump debateu com Xi formas de construir “estabilidade estratégica” entre aquelas que são hoje as duas maiores potências mundiais, mas os resultados foram poucos e pouco concretos, sem consenso quanto a áreas importantes como o comércio, tecnologia e geopolítica. E as expectativas para esta nova cimeira, que esteve em dúvida quase até à data do encontro, são contidas.
“Diria que as expectativas são modestas, mas não necessariamente baixas, nenhum dos lados parece estar a preparar o terreno para um grande acordo”, diz Sun Chenghao, investigador e chefe do programa EUA-UE no Centro de Segurança e Estratégia Internacional (CISS) da Universidade Tsinghua. “Pequim enfatizou que o objetivo da visita é aprofundar uma ‘relação construtiva de estabilidade estratégica’, reforçar o diálogo e a cooperação e gerir as diferenças, portanto a minha expectativa é a de uma cimeira de estabilização e não uma cimeira de avanços.”
Com três grandes temas em cima da mesa, aquele que promete dominar o encontro é a tecnologia, em particular os avanços e a segurança da Inteligência Artificial (IA) e aí “não devemos esperar que uma única cimeira resolva todos os problemas, mas é importante que os dois líderes se reúnam para conversar, permitindo que as suas equipas deem continuidade ao processo e realizem outras reuniões”, adianta George Chen, diretor de Digital Practice do The Asia Group (TAG).
Nas últimas semanas, Washington e o resto do Ocidente foram assolados não só por preocupações de que a IA está a avançar rápido demais, mas também pela convicção de que os EUA têm de se empenhar na corrida pela liderança do setor perante os avanços chineses em tecnologia de ponta – levando Trump a rejeitar de forma veemente os vários apelos para desacelerar o desenvolvimento da IA generativa.
No seu último discurso enquanto secretário-geral da ONU, no início desta semana, António Guterres baseou-se nos avisos recentes de engenheiros de IA para instar os dois países a estabelecerem um diálogo sobre o setor semelhante ao aparato de comunicações entre EUA e a União Soviética durante a Guerra Fria.
Guterres destacou que “os governos com as maiores capacidades em IA têm as maiores responsabilidades para com a humanidade de estabelecer canais de diálogo, transparência, confiança e cooperação”.
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