Mulher burlou família e amigos em quase 100 mil euros para tratar vários cancros que afinal não tinha
Uma mulher vai ser julgada na próxima semana no Tribunal Provincial de Santa Cruz de Tenerife, por defraudar 94.300 euros a dez familiares e amigos, a quem enganou dizendo que tinha vários tipos de cancro.
O Ministério Público de Espanha pede uma pena de um ano e dez meses de prisão por um crime continuado de falsificação de documentos e outros cinco anos pelo crime de burla agravada, bem como a devolução às vítimas da quantia defraudada e multas que totalizam 7.200 euros.
Além disso, deverá responder pelas quantias que forem fixadas na execução da sentença caso seja condenada, correspondentes a empréstimos solicitados utilizando nomes e dados de terceiros.
O MP espanhol acusa a mulher de ter vivido em várias residências com a intenção de obter um benefício patrimonial ilícito, recorrendo ao estratagema de que precisava de dinheiro para tratamentos médicos indispensáveis para salvar a sua vida.
Dizia aos seus familiares e pessoas próximas que lhe tinham sido diagnosticados diferentes tipos de cancro e que a assistência necessária só lhe podia ser prestada numa clínica privada, porque o Serviço Canário de Saúde (SCS) não a podia curar.
A certa altura, ficou comprovado que nunca teve uma doença grave e que, em algumas ocasiões, utilizou o dinheiro para intervenções de cirurgia estética.
Desta forma, apropriou-se de 2.000 euros enviados por uma amiga através de uma transferência bancária, alegando que tinha um tumor na garganta e no esófago.
A mulher enganada soube posteriormente, através de um conhecido de infância, que lhe tinha entregue 25.000 euros, para depois descobrir que tudo era falso, algo que a acusada negou quando questionada pela vítima.
A este amigo de infância disse que sofria de cinco tipos de cancro, que tinha recuperado de quatro, mas que o último não podia ser tratado no SCS, o que poderia implicar a sua morte, pelo que lhe entregou a referida quantia, oferecendo-lhe como garantia um seguro de vida.
Destes montantes, alguns foram-lhe entregues em mão, pelo que não existem recibos, embora isso tenha acontecido na presença do ex-marido da arguida.
A sogra da arguida denunciou que esta tinha utilizado com ela a mesma desculpa, embora, no seu caso, tenha inicialmente dito que se tratava de uma doença não diagnosticada e sem tratamento, que tinha tido origem na picada de uma carraça proveniente de África, quando trabalhava num centro comercial.
O julgamento está previsto para o próximo dia 21 de setembro, na sede do Tribunal Provincial de Santa Cruz de Tenerife.
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