Isabelle Mendes-Coelho: "O impacto hoje é ainda maior"
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E aqui em Nova Iorque, nessa data, estava a Isabel Coelho Marques. A Isabel estava no Consulado Português aqui em Nova Iorque e pergunto-lhe, bem-vinda a esta emissão especial da Rádio Observador e obrigado por ter aceitado o nosso convite. Como é que foi esse dia?
Olá, obrigada pelo convite. O dia começou verdadeiramente muito lindo, um dia super claro, quente, mas com um toque já de frescura do ar, quase pré-outono. Um dia maravilhoso. Eu nesse dia eu vim de comboio.
Um dia perfeito. Eu nunca mais voltei a viver um dia tão perfeito antes do dia 11 de Setembro, os ataques. Foi um dia mesmo muito lindo. Eu estava a viajar de comboio para o trabalho. Nesse dia eu tinha experimentado uns sapatos novos e apanhei bolhas nos pés. Quando cheguei à Grand Central Station, apanhei um táxi, porque os escritórios do Consulado-Geral de Portugal em Nova Iorque, nessa altura situavam-se no Rockefeller Center, mesmo de frente para St. Patrick's Cathedral, na Quinta Avenida.
Exato. A caminho do escritório, o taxista mencionou que tinha batido um avião contra uma das torres. E eu até desvalorizei, pensei que se calhar tinha compreendido mal. Mas a verdade é que nessa altura não reagi muito bem, mas vi que em um dos edifícios perto do Rockefeller Center, havia um banco que tinha telas de televisão em toda a fachada. E tinha muitas pessoas à volta a ver, só que eu nesse momento não me apercebi ao certo, só quando cheguei mesmo ao edifício onde trabalhava é que me disseram que realmente um avião tinha batido contra o World Trade Center. Eu prossegui para ir para o escritório. Quando cheguei ao escritório, pouco depois ficamos a saber que a segunda torre tinha sido também atacada. E o edifício foi evacuado. Quando chegamos à Quinta Avenida, depois de sairmos do edifício, a polícia estava a vir de carro, a pedir às pessoas para saírem do centro da cidade e que percorressem para as extremidades da ilha, junto à água. Comecei a andar para o lado do West Side Highway. Como são tantos edifícios tão altos, é difícil ver seja o que for, mas entretanto havia pessoas a dizer: "Uma torre caiu". O meu telefone não funcionava, uma linha não funcionava. E quando realmente cheguei ao West Side Highway, deparamo-nos realmente que já tinha aquelas cinzas todas no ar, parecia uma implosão total. E ali é que eu me apercebi que realmente aquilo tinha acontecido e acho que naquele entretanto também houve a segunda torre que depois logo de seguida caiu.
E foi recolhendo informação. Quando é que a Isabel percebeu que o mundo que conhecia tinha acabado de mudar? Foi logo nesse dia?
Eu acho que nesse próprio dia, que foi um choque tremendo. Eu lembro-me que ao sair de Nova Iorque, porque a polícia estava a pedir para que saíssem da cidade, eu vim de carro e o que eu deparei-me ao meu redor era olhava para os carros, que estava tudo encalhado, o trânsito estava todo parado, com tanta gente a tentar sair da cidade. E eu olhava ao meu redor dentro dos carros, não se via ninguém a falar, as pessoas estavam todas em estado de choque.
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