Cocktail molotov. Nelson odiava "burguesia podre"
Quando, ao fim da manhã de 21 de março, Nelson Vassalo se apresentou ao balcão de uma bomba de gasolina com o seu cantil de plástico cheio de combustível, alegou que era para a mota — que não possuía. Na altura, os 1,02 litros custaram-lhe dois euros.
Chegado a casa, verteu a gasolina para uma garrafa de vidro que tapou com um tecido inflamável e guardou-a num tote bag . Preparou-se então para a primeira manifestação do dia, em que não usaria o cocktail molotov : trocou para um casaco preto com capuz e guardou uma gola. No tote bag , colocou também um isqueiro.
Horas mais tarde, na Marcha pela Vida e com a gola a tapar a cara, lançaria o engenho cuja chama, “por razões alheias à vontade do arguido”, se apagou antes de se propagar à gasolina , relata a procuradora Cláudia Porto, do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), no despacho de acusação a que o Observador teve acesso.
O Ministério Público defende que, a ter deflagrado, o cocktail molotov teria causado “lesões graves ou mesmo a morte a pessoas atingidas ou expostas à sua ação ”, motivada por ódio: as vítimas faziam “parte da que referia ser burguesia podre, filhos das elites dos sistemas ou betos, os mais favorecidos à nascença, que associava à direita conservadora e religiosa, aos capitalistas, proprietários, senhorios e fascistas que odiava ”. Apesar de ter sido detido e ficado em liberdade num primeiro momento, Nelson Vassalo foi preso preventivamente menos de um mês depois. Foi acusado pelo Ministério Público de dez crimes de infração terrorista.
Terrorismo. O filme do ataque com cocktail molotov contra manifestantes pró-vida em frente à AR
A investigação determinou que a radicalização de Nelson Vassalo, iniciada em 2021, culminou no arremesso do cocktail molotov . Foi motivado “unicamente pela convicção político-ideológica de extrema-esquerda, visando a luta política armada violenta, através do uso do fogo, deliberada e exclusivamente contra aqueles manifestantes que odiava e que considerava que defendiam ideias opostas às suas, enquadrando-os no espectro político do que considera ser direita conservadora, capitalismo, extrema-direita ou fascismo”.
O designer gráfico era “ativista em relação ao tema da habitação e ao Movimento Okupa” e, no seu computador, guardava um manual de guerrilha urbana que definia os cocktails molotov como “essenciais” para atuações terroristas. Em mensagens trocadas com amigos e familiares, que como outras células ativistas “alimentaram e validaram fortemente o seu extremismo”, segundo o MP, mencionou estes engenhos pela primeira vez quatro anos antes do ataque à Marcha pela Vida. “ Traz os molotov ”, respondeu a uma amiga quando se preparavam para um protesto em 2022.
Professor, designer, “muito ativista” e militante do PS (agora suspenso). Nelson, detido por atirar cocktail molotov na Marcha pela Vida
No dia da Marcha pela Vida, saiu de casa para primeiro marcar presença na manifestação Já não Dá!, organizada por movimentos defensores do direito à Habitação.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.