O Chega é o maior apoiante do Governo?
No discurso do 5 de Outubro, o Presidente da República pediu uma “nova cultura política”, baseada em compromissos entre partidos para várias legislaturas.
Saudou a aproximação entre Governo e PS no Orçamento e desejou que outros partidos seguissem o exemplo.
Acho que António José Seguro não está a perceber o que se passa: em Portugal há consenso a mais.
Contei as iniciativas legislativas do Governo, do PSD e do CDS aprovadas na Assembleia da República desde a tomada de posse de Luís Montenegro, em 2 de abril de 2024.
Excluí resoluções, votações processuais, alterações parcelares e iniciativas rejeitadas.
Cheguei a 107.
A amostra, mesmo que contenha erros, revela um padrão.
Somei, depois, votos favoráveis e abstenções, pois estas, muitas vezes, viabilizam as propostas.
Qual foi, afinal, o partido da oposição que mais vezes ajudou o Governo? Não foi a IL, irmã ideológica do PSD.
Nem o PS, parceiro habitual do bloco de interesses do regime.
Foi o Chega, o partido da berraria contra “o sistema”.
Neste levantamento, o Chega votou a favor ou absteve-se em 81 iniciativas; a IL, em 78; o PS, em 74.
Seguem-se o PAN, com 72; o Livre, com 56; o JPP, com 55; o Bloco, com 44; e o PCP, com 37 E quanto à qualidade dessas medidas? Bem, algumas serão inócuas, mas, na verdade, muitas delas podem ser classificadas, sem favor, como “reformas estruturais”.
Por exemplo, o Chega foi aritmeticamente indispensável na aprovação da Lei da Nacionalidade e do pacote fiscal da habitação.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.