Comunicação e Poder: quase tudo deixa rasto
Confundir proximidade ao poder com autoridade própria é um erro comum, mas na era digital é também um erro perigoso.
Num tempo em que tudo deixa rasto, os jogos de bastidores duram cada vez menos.
Vivemos no tempo do comentário instantâneo.
A velocidade com que se emite um julgamento ultrapassou, há muito, o tempo necessário para compreender a complexidade de qualquer fenómeno.
Na esfera pública e, cada vez mais, nos contextos profissionais, criticar, desconstruir e apontar falhas tornou-se quase um reflexo pavloviano.
Mas talvez o fenómeno mais interessante não esteja apenas em quem critica.
Está também em quem, por se encontrar próximo de quem exerce influência, começa a confundir proximidade com margem de ação e espaço de intervenção.
Há uma confusão recorrente nas relações de poder: a confusão entre influência e autoridade.
Uma posição de proximidade, uma rede de contactos ou o acesso privilegiado a determinados centros de decisão podem criar a sensação de que se tem autoridade sobre territórios que, na realidade, não nos pertencem.
Ter influência não é ter poder de decisão.
Ter acesso não é ter autoridade.
E estar próximo de quem decide não transforma automaticamente uma vontade pessoal numa orientação legítima.
Há quem confunda essas coisas e, nessa confusão, tente condicionar o trabalho de outros, interferir onde não lhe compete ou limitar o espaço de quem identifica como ameaça à sua própria posição.
O mais curioso é que este poder raramente se apresenta como tal.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.