O perigo de andarmos blindados na estrada
Há dias em que a estrada parece um campo de batalha, mas nós, parece que nós estamos sentados no sofá da nossa sala.
Poderia estar a falar do conforto que os carros nos proporcionam, hoje em dia, mas não.
É a realidade que se sente quando nos pomos ao volante de um Range Rover, por exemplo, num dia de tempestade: lá fora o mundo desaba e a chuva castiga o para-brisas mas, lá dentro, protegidos por vidros grossos e suspensões que abafam tudo, reina uma calma artificial que nos faz sentir absolutamente invencíveis.
O problema é que esta bolha de conforto não se limita aos carros de luxo.
Os automóveis tornaram-se tão seguros, tão protegidos por ajudas electrónicas e cheios de sensores que nos adormeceram por completo.
Retiraram-nos a noção real do perigo.
Antigamente, conduzir um carro potente (ou não) à chuva exigia respeito sério pelo acelerador, sensibilidade no volante e atenção a cada detalhe da estrada.
Hoje, a tecnologia resolve as nossas falhas e as nossas distrações antes mesmo de darmos por isso.
Transformámo-nos em condutores piores e desligados, porque passámos o nosso instinto de sobrevivência para um computador de bordo.
Além disso, esta blindagem tecnológica mudou por completo a nossa relação física com a máquina.
Antigamente, o carro 'falava' connosco através da vibração da caixa de velocidades, do som do motor ou da resistência do pedal; hoje é um casulo tão isolado e silencioso que perdemos o contacto com a realidade da estrada.
O carro faz tanto por nós que o condutor deixou de pilotar para se tornar um mero espectador do próprio trajeto.
A grande ironia disto tudo é que esta falsa sensação de segurança é o maior perigo nas estradas de hoje.
Criámos a tal armadura: quanto mais protegidos estamos contra o erro, mais relaxados andamos, a contar que a máquina nos safe de tudo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.