Novo think tank da esquerda nasce no PS e vai até Isaltino
Nasce esta quarta-feira um novo laboratório de ideias da esquerda, fora dos partidos mas com um socialista à cabeça. Miguel Costa Matos é o deputado do PS que levou ao último congresso do partido uma moção crítica do atual líder e agora aparece a liderar um movimento que tenta congregar personalidades para lá do seu partido para trabalharem em “estratégias e políticas progressistas”. O novo think tank , com o nome Instituto Progresso (IP), é dominado por socialistas e antigos membros de gabinetes dos governos de António Costa, mas também conta com alguns nomes de outros partidos, como os sociais-democratas Duarte Pacheco e Adão Silva, Paulo Muacho, do Livre, Vasco Barata, do BE, ou ainda o independente Isaltino Morais.
O pontapé de saída foi dado por Costa Matos que já tinha a ideia em mente desde o tempo em que António Costa conquistou a maioria absoluta, em 2022. O tempo passou, o PS saiu do poder e é com o PS na oposição que o socialista lança agora o think tank que assegura não ter como objetivo preparar uma liderança alternativa no PS.
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A leitura é possível, já que o Instituto Progresso tem, entre os seus subscritores, nomes como o de Duarte Cordeiro ou de Pedro Costa e até contará, na primeira conferência que está marcada para 19 de setembro, com a participação de Mário Centeno . Tanto o ex-ministro das Finanças como Cordeiro são nomes apontados como possibilidades para a liderança e sobretudo acarinhados numa ala do partido menos rendida a José Luís Carneiro.
Mas Miguel Costa Matos — ele mesmo a trilhar o percurso já feito por alguns líderes, tendo presidido à JS — garante que não é isso que está em causa. “É legítimo todo o tipo de leituras, mas o tempo vai demonstrar que não é assim. Era inaceitável adiar este projeto pelo risco das leituras . Já falei sobre o projeto com o José Luís Carneiro e haverá outros dirigentes do PS envolvidos”, diz quando confrontado com o Observador sobre se há alguma ameaça à atual direção socialista nas entrelinhas deste movimento. Na lista de mais de 170 subscritores iniciais constam dois nomes da direção socialista: Luís Soares, adjunto de Carneiro, e Filipe Santos Costa. Está ainda o vice da bancada parlamentar, António Mendonça Mendes.
O presidente do Instituto garante mesmo contar com o “entusiasmo” de Carneiro e que esta “não é uma divisão no PS. É um conjunto de militantes do PS que, para além da sua intervenção nos órgãos do partido, querem juntar-se a outros independentes.” E quando questionado se sente que não há, neste momento, espaço de debate no PS, o deputado responde prontamente que José Luís Carneiro lhe dá “todo o espaço para participar, mas isso não anula a importância de haver um espaço destes”.
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