Ecomuseu ajuda a preservar barreta do Corvo
O Ecomuseu do Corvo, nos Açores, está a contribuir para a preservação da barreta típica da ilha, uma prática artesanal iniciada pelos homens no século XIX, com o ensino gratuito desta arte tradicional uma vez por semana.
Desde 2022 que todas as quartas-feiras, durante a tarde, nas instalações do Ecomuseu da mais pequena ilha açoriana, decorre o ‘workshop’ a “Hora da Barreta”, que tem frequência livre e se destina a participantes de ambos os géneros.
“É como o próprio nome indica. É uma hora, à quarta-feira, em que as pessoas interessadas em aprender a fazer a barreta típica do Corvo se reúnem nas nossas instalações e, num ambiente descontraído, aprendem connosco a fazer a barreta típica”, explicou hoje à agência Lusa a diretora do Ecomuseu do Corvo, Deolinda Estêvão.
Segundo a responsável, a iniciativa tem sido procurada tanto por mulheres como por homens, tendo em conta que o típico gorro de lã começou a ser feito pelos homens baleeiros, no século XIX, por influência de pescadores escoceses, tendo depois transmitido o saber às respetivas mulheres.
“No ano passado tivemos um projeto em articulação com a escola, em que um professor e um aluno frequentaram também a formação e, este ano, temos um jovem italiano que também gostou desta formação e tem estado a aprender a fazer a barreta típica do Corvo”, disse.
O saber foi transmitido ao Ecomuseu por Rosa Mariana, uma habitante da ilha cuja mãe é considerada a “grande responsável” pela sua manutenção.
“A barreta típica do Corvo é exclusiva aqui da ilha do Corvo e esse saber fazer foi-se mantendo. E nós, agora, estamos a replicá-lo para que as novas gerações também aprendam e para que ele se mantenha vivo, porque, de facto, é uma forma de fazer a barreta diferente de qualquer outra barreta de qualquer outro ponto do país e mesmo do mundo”, disse Deolinda Estêvão.
Patrícia Pacheco, colaboradora do Ecomuseu, aprendeu a fazer a boina corvina com a diretora e, agora, todas as quartas-feiras dá “aulas” a quem tiver interesse em aprender.
Numa recente “Hora da Barreta”, realizada na Casa da Memória, contou à Lusa que já ensinou mulheres, crianças e dois homens, sendo o último o italiano Alessandro Vito, de 30 anos.
O primeiro, um professor, “não chegou a fazer a barreta, apenas ficou pelo aprender a fazer o ponto, enquanto o Alessandro está a concluir a sua barreta”, relatou.
Questionada se há diferenças entre ensinar homens e mulheres, disse que é “indiferente” e que aprendem por igual.
O jovem italiano, que chegou ao Corvo para aprender a trabalhar com madeira, rapidamente se interessou pela barreta, para ocupar algum do tempo livre.
Foi a primeira vez que pegou numa agulha e em lã, mas disse à Lusa que gostou da experiência: “Sim, estou a gostar. No princípio, parecia-me bastante difícil, mas, depois, [fui] praticando em cada dia, [e] agora é mais fácil. E também me relaxa”.
Conhecendo a história da típica barreta açoriana, Alessandro sente-se orgulhoso por poder dar continuidade a uma prática artesanal que foi iniciada por homens.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.