"Incrível para as crianças, para as famílias e para os serviços de saúde". O que trouxe de tão bom a imunização contra o VSR?
“Isto é incrível para as crianças, para as famílias, que não vivem a aflição de ter um bebé com uma dificuldade respiratória imensa, é incrível para os serviços de saúde, porque nos dá mais fôlego para trabalharmos melhor”. Manuel Ferreira Magalhães, pediatra no Centro Materno Infantil do Norte e professor auxiliar convidado no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), não esconde o entusiasmo a falar sobre o arranque da imunização contra o vírus sincicial respiratório (VSR), um dos principais ‘inimigos’ infantis na época dos vírus respiratórios. “Tudo o que é prevenção de doença grave é bem-vindo, mas isto é das melhores estratégias de imunização de todos os tempos”, continua.
Foi há dois anos que a imunização contra o vírus sincicial respiratório (VSR) passou a ser feita em Portugal. E o cenário nos hospitais portugueses mudou drasticamente. Em 2023, quando ainda não era feita a imunização com o anticorpo monoclonal Nirsevimab, tínhamos 145 crianças internadas em apenas dois meses. Na altura, apenas a Madeira apostava nesta imunização e os resultados saltaram logo à vista, com menos 40% de internamentos. A pressão dos médicos começou a aumentar e a primeira campanha arrancou em todo o país em outubro de 2024, sabendo-se agora que foi “altamente efetiva, reduzindo em 78,5% o risco de hospitalização por infeção por VSR, valor que aumentou para 82% quando a análise foi limitada às crianças testadas por PCRs”, como revelou um estudo do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) . No ano passado, a campanha foi alargada ainda a mais crianças, mas não são conhecidos ainda dados oficiais. Mas a perceção dos médicos é clara: "Foi um sucesso estrondoso no impacto da saúde das crianças”, atira Fernando Chaves, pediatra no Hospital Lusíadas Lisboa. "É um balanço excelente, tivemos acima dos 90% na taxa de cobertura", continua Manuel Ferreira Magalhães.
Segundo explica o Serviço Nacional de Saúde (SNS) no seu site, o vírus sincicial respiratório pode “provocar doença respiratória em pessoas de todas as idades, mas, geralmente, todas as crianças até aos 2 anos são infetadas por este vírus, podendo ocorrer reinfeção em qualquer idade”. Este vírus é, no entanto, “a causa mais comum de doença das vias respiratórias inferiores até aos 12 meses de idade”, daí este ser o grupo de eleição para a imunização.
O anticorpo monoclonal Nirsevimab oferece uma proteção de até seis meses, período de tempo que abrange o pico comum das infeções respiratórias em Portugal. “Nas crianças, [esta imunização] teve um impacto brutal do ponto de vista de doença, recorrência às urgências e internamentos, que praticamente desapareceram”, continua Fernando Chaves.
Manuel Ferreira Magalhães reconhece que “é difícil explicar às pessoas” a eficácia que esta imunização consegue ter.
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