Suécia. Eleições marcadas mais por Rússia do que imigração
As sondagens não parecem deixar margem para dúvidas: quando este domingo, mais de oito milhões de suecos se dirigirem às urnas para escolher a nova composição do Riksdag, os Sociais-Democratas (S) deverão terminar o dia com mais uma vitória. Uma média dos estudos de opinião coloca o histórico partido da política sueca com 28% das intenções de voto, nove pontos percentuais à frente do segundo classificado, os Democratas Suecos (SD), partido da direita radical. A distribuição de votos é a mesma que resultou das últimas eleições legislativas, em 2022. E, tal como aconteceu nesse ano, um primeiro lugar nas eleições pode não ser suficiente para formar Governo.
Na verdade, como há quatro anos, o mandato para governar a Suécia não depende apenas do número de votos, mas da capacidade de negociação pós-eleitoral dos dois blocos do Riksdag. À esquerda, estão os Sociais-Democratas, os Verdes (MP), o Partido do Centro (C) e a Esquerda (V). Todos juntos somam cerca de 52% das intenções de voto. À direita, estão os Democratas Suecos, os Moderados (M), os Democratas Cristãos (KD) e os Liberais (L). Estes três últimos partidos integram atualmente um Governo de coligação, liderado por Ulf Kristersson , dos Moderados, com apoio parlamentar do SD.
Para chegar aos acordos de Tidö, democratas-cristãos, Moderados e Liberais cederam às exigências da direita radical no que toca a medidas a incluir no programa de Governo. Em linha com a sua família europeia, as prioridades do partido, liderado por Jimmie Åkesson , estão relacionadas com o bloqueio da imigração e redução da criminalidade — que tendo crescido estava, ainda assim, abaixo da média europeia .
Nos últimos quatro anos, a política de imigração sueca — outrora uma das mais permissivas da Europa — mudou profundamente : deixaram de ser atribuídas autorizações de residência permanentes e foram tornados obrigatórios os testes de cidadania. Desde o início do ano, o país investiu ainda 1,3 mil milhões de coroas suecas (cerca de 115 milhões de euros) num programa de “ remigração “, que prevê o pagamento de 30 mil euros a cada imigrante de fora da União Europeia que escolha abandonar a Suécia. “ Tem saudades de Mogadíscio? A bolsa de remigração ajuda-o a regressar a casa “, lê-se em cartazes colocados pelo SD a promover a medida.
O plano foi de tal forma abrangente que a nova visão sobre a imigração tomou conta de todos os espectros políticos. Questionada sobre o tema, em entrevista ao Politico , a líder social-democrata e antiga primeira-ministra Magdalena Andersson considerou a política de fronteiras abertas — implementada sob um governo do seu partido — “insustentável” e defendeu uma política migratória “muito restritiva”. A única linha vermelha estabelece-se na retirada da autorização de residência permanente a imigrantes que já estão no país, medida proposta pelos Democratas Suecos.
Neste contexto, a imigração passou, nesta campanha, para segundo plano, erguida como bandeira apenas pela direita radical. “O crime baixou, a inflação baixou. Estes tópicos não são tanto o que as pessoas estão a discutir”, argumenta Zeth Isaksson, sociólogo especialista em comportamentos eleitorais na Universidade de Estocolmo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.