Cérebro humano não é, afinal, um órgão único: estudo identifica dois sistemas com origens distintas
O cérebro, visto pelos cientistas durante séculos como um único órgão unificado, é constituído por dois órgãos distintos que evoluíram independentemente ao longo de centenas de milhões de anos, revela um estudo divulgado esta sexta-feira, 18 de setembro.
Liderada por cientistas da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, a nova investigação “mostra que o cérebro humano consiste em dois sistemas nervosos antigos inteligentemente combinados ”, indica um comunicado da universidade.
Uma das partes, “ mais primitiva ”, é responsável pelas funções vitais, como a frequência cardíaca, a respiração, a pressão arterial ou o sono, enquanto a outra “nos torna distintamente humanos, capazes de poesia, matemática e de questionar as nossas origens ”, adianta.
“Demonstrámos pela primeira vez que a parte frontal do cérebro tem origem numa célula progenitora totalmente diferente da parte posterior ”, disse Kyle Loh, professor associado de Biologia do Desenvolvimento da universidade e um dos autores do estudo publicado hoje na revista Nature Neuroscience.
“A nossa descoberta significa que agora podemos cultivar neurónios da parte posterior do cérebro, o rombencéfalo [frequentemente chamado de tronco cerebral], numa placa de Petri e estudar as suas funções”, acrescentou, citado no comunicado.
E isto abre novos caminhos para o estudo de doenças que afetam o tronco cerebral, como as degenerativas graves atrofia muscular espinhal (AME) e esclerose lateral amiotrófica (ELA ou doença de Lou Gehrig).
O estudo, que tem Kyle Loh como autor sénior e os estudantes de pós-graduação Carolyn Dundes e Rayyan Jokhai como primeiros coautores, analisa os primeiros momentos do desenvolvimento embrionário de ratos, o que permitiu a identificação de “duas células progenitoras cerebrais diferentes”.
Uma delas “está destinada a tornar-se o prosencéfalo [lida com o pensamento de nível superior -linguagem, consciência e raciocínio abstrato] e o mesencéfalo”, duas das três regiões principais do cérebro, além do rombencéfalo, cuja formação está ligada à da outra célula progenitora.
Segundo o comunicado, “estas duas populações de células nunca se sobrepõem” e “são mutuamente exclusivas desde as fases iniciais do desenvolvimento”.
Jokhai e Dundes descobriram que o rombencéfalo segue um caminho de desenvolvimento separado, correndo em paralelo (em vez de se ramificar) ao que cria o prosencéfalo e o mesencéfalo.
“As tentativas anteriores de criar neurónios do rombencéfalo provavelmente tentaram transformar progenitores do prosencéfalo e do mesencéfalo em células do rombencéfalo , o que o nosso estudo mostra que não é possível”, explicou Jokhai, citada no comunicado.
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