No centro do pânico da peste na Rússia, os residentes "não confiam" nas autoridades, mas têm poucas alternativas
Quando a cidade siberiana de Shelekhov se viu no centro das notícias mundiais devido ao pânico com a peste, os residentes poderiam esperar ser os mais bem informados. Contudo, os russos estão há muito habituados a viver com perguntas sem resposta e uma governação opaca. Assim, embora a morte súbita de Darya Shipilova, uma técnica de laboratório de 28 anos do Instituto de Investigação Antipeste de Irkutsk, tenha gerado preocupação em todo o mundo, os habitantes da pacata cidade localizada a 19 quilómetros a sudoeste de Irkutsk revelaram à CNN que sabiam pouco mais do que as notícias e rumores que se espalhavam rapidamente na internet.
Seis dias após o surgimento da notícia, e sem confirmação oficial de que a investigadora morreu de peste, no meio de apelos da Organização Mundial da Saúde e dos Estados Unidos por mais informações, a situação parece ter provocado tanto resignação como ceticismo.
Uma residente de 36 anos, que se identificou apenas como Evgeniya, referiu à CNN que tudo parece "normal, como se nada tivesse acontecido". A mesma fonte garantiu que não está em pânico, mas acrescentou que um amigo farmacêutico a alertou para o facto de as pessoas estarem a acumular antibióticos quando surgiram os primeiros rumores de peste.
A agência russa de defesa do consumidor e bem-estar humano, Rospotrebnadzor, declarou que Darya Shipilova morreu de uma pneumonia de origem "desconhecida". A entidade desvalorizou as suspeitas de que a doença estivesse relacionada com o seu trabalho, mas apressou-se a isolar os seus contactos.
Embora a Rússia tenha mantido as informações sob sigilo, a CNN falou com residentes de Shelekhov, onde a jovem morreu no hospital na sexta-feira, e das cidades vizinhas de Irkutsk e Angarsk, para tentar perceber os acontecimentos dos últimos dias, analisando ainda reportagens oficiais e não oficiais em busca de pistas. Os habitantes pediram para ser identificados apenas pelo primeiro nome por motivos de privacidade.
Apesar de o Kremlin instar repetidamente a população a confiar apenas nas atualizações da agência, Evgeniya sublinhou que a maioria dos seus conhecidos não confia nas declarações públicas.
"Não há informações oficiais e, de qualquer forma, não confiamos nelas. Existem muitos rumores, mas o que está realmente a acontecer continua a ser incerto", acrescentou a habitante.
Ekaterina, de 26 anos, garantiu à CNN que, do seu ponto de vista, as coisas não estão "nada más", sublinhando não ver motivo para preocupação, uma vez que todos os que estiveram em contacto com a funcionária do laboratório foram isolados.
"As pessoas não estão a ceder ao pânico e continuam a sua vida normalmente", notou a jovem.
"Estamos no século XXI e existe tratamento para a peste. Isto não é como o coronavírus, que era algo desconhecido para as pessoas. As perspetivas são muito melhores. Por isso, resumindo: está tudo bem.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.