Noruega quer punir com até três anos de prisão comércio com colonatos
E m declarações à emissora norueguesa NRK, Espen Barth Eide esclareceu que o prazo para consultas sobre a nova legislação decorre até 19 de setembro e espera que seja aprovada pelo parlamento no próximo outono.
O ministro norueguês acredita que haverá condições para aprovar a proposta, justificando que "os argumentos só se fortaleceram, porque a situação na Cisjordânia agravou-se ainda mais" e outros países europeus já "estão a fazer o mesmo".
Espen Barth Eide comentou que as autoridades de Telavive se habituaram "a intimidar os países ocidentais, acusando-os de antissemitismo caso critiquem Israel por abusos e violações do direito internacional", mas, atualmente, a proteção de que o país beneficiava, "em muitos aspetos, acabou".
O governante reconheceu que o volume económico do comércio entre a Noruega e os colonatos israelitas "não é muito grande", mas salientou a importância do gesto político, numa altura em que a violência na Cisjordânia continua a crescer e Israel toma medidas para reforçar os colonatos ilegais nos territórios ocupados.
Segundo a imprensa israelita, a embaixada de Israel na Noruega classificou a medida em preparação pelas autoridades de Oslo como uma "proposta de criminalizar o comércio" e "o exemplo mais recente do ativismo obsessivo anti-Israel do ministro dos Negócios Estrangeiros norueguês no panorama global".
A Noruega foi um dos países europeus, juntamente com Portugal, Espanha, França, Reino Unido, Canadá, Dinamarca, Finlândia, Irlanda, Islândia, Polónia, e Suécia, que na semana passada defenderam sanções ao comércio com os colonatos israelitas na Cisjordânia.
Numa declaração conjunta, o grupo de países europeus alertou que o aumento da violência dos colonos contra a população palestiniana e a expansão dos assentamentos "colocam em risco a possibilidade de uma solução de dois Estados".
Reino Unido, França e o Canadá implementaram, na mesma altura, uma proibição conjunta das importações de colonatos israelitas,
A Noruega foi também um dos primeiros países europeus a reconhecer o Estado palestiniano, juntamente com Espanha e Irlanda em 2024, antes de cerca de dez países ocidentais, incluindo Portugal, França, Reino Unido, Canadá e Austrália, terem feito o mesmo em setembro do ano passado, apesar dos protestos de Telavive.
A violência intensificou-se na Cisjordânia desde os ataques liderados pelo grupo islamita palestiniano Hamas no sul de Israel, em 07 de outubro de 2023, que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza.
As restrições de movimentos aumentaram substancialmente para os palestinianos na Cisjordânia e Jerusalém Oriental nos últimos três anos, a par do registo de episódios de confrontos quase diários pela parte de colonos radicais contra a população local, que enfrenta também incursões regulares do exército israelita.
Segundo as Nações Unidas, pelo menos 1.132 palestinianos, dos quais 249 eram crianças, foram mortos entre 07 de outubro de 2023 e 04 de setembro deste ano na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental, em ataques atribuídos a colonos ou militares israelitas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.noticiasaominuto.com — o conteúdo pertence a Notícias ao Minuto - Mundo.