Austrália lança investigação após agente de IA da OpenAI aceder sem autorização a portal de saúde
Numa conferência de imprensa, o ministro da Defesa australiano, Richard Marles, afirmou que o governo leva o incidente “muito a sério” e, por isso, decidiu criar um grupo de trabalho “para investigar o assunto a fundo e compreender tudo o que for possível, incluindo se foram infringidas leis neste contexto”.
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, confirmou o sucedido na quarta-feira, a partir de Nova Iorque, e manifestou a sua “extrema preocupação” com o acesso não autorizado , bem como o seu desagrado com a OpenAI por ter demorado três meses a informar as autoridades australianas.
Questionado pelos jornalistas, o ministro da Defesa afirmou esta quinta-feira que a infiltração, através da qual foram acedidos ficheiros públicos e não públicos, “levanta questões sobre se a lei foi infringida neste caso”.
“Vamos investigar tudo isso, bem como as consequências no caso de ter havido uma infração legal, mas parte do trabalho do grupo de trabalho consiste também em avaliar se o atual quadro jurídico é adequado para um mundo em que surgem novas capacidades de inteligência artificial”, afirmou Marles, que exerce as funções de primeiro-ministro interino enquanto Albanese participa na Assembleia Geral da ONU.
Por seu lado, o Centro Australiano de Cibersegurança (ASD, na sigla em inglês) explicou, num comunicado, que o agente de IA (não humano) “identificou vulnerabilidades de forma autónoma”, sem autorização de qualquer pessoa.
“Não há indícios de que esta atividade represente uma ameaça mais ampla ou um ataque malicioso dirigido contra a Austrália. No entanto, isto realça a importância de adotar práticas seguras de implementação de IA e de manter bases sólidas de cibersegurança”, refere o comunicado.
Por isso, o ASD recomendou às organizações australianas que “testem os controlos e os procedimentos de resposta a incidentes perante cenários de ameaça que envolvam IA”, entre outras sugestões.
Além disso, o centro apelou à denúncia de “atividades suspeitas impulsionadas por IA”, incluindo “tentativas de exploração ou vulnerabilidades que afetem os seus sistemas”.
O agente acedeu, a 18 de junho, ao portal de estatísticas do Medicare administrado pela Services Australia, enquanto realizava uma investigação sobre a despesa pública com medicamentos.
A OpenAI, por seu lado, afirmou que a sua análise não encontrou provas de acesso a registos de pacientes e que a informação obtida incluía estatísticas de saúde e nomes de ficheiros internos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.