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Manuscrito chinês da dinastia Tang vendido por 20 milhões de euros em Hong Kong

RTP Notícias - Cultura ·
Manuscrito chinês da dinastia Tang vendido por 20 milhões de euros em Hong Kong

Uma obra de caligrafia da dinastia Tang, que reapareceu 81 anos depois de ser dada como desaparecida, foi vendida em Hong Kong por 177,45 milhões de dólares de Hong Kong (20,1 milhões de euros).

A peça, intitulada Jishi Tie ("Carta do Tempo Acumulado"), é um manuscrito de Yu Shinan (558-638), um dos quatro grandes mestres de caligrafia dos primórdios da dinastia Tang (618-907), reportou hoje o jornal South China Morning Post.

O lote tornou-se na principal atração dos leilões de outono da leiloeira China Guardian, realizados na quarta-feira no Centro de Convenções e Exposições de Hong Kong, alcançando um valor de 155 milhões de dólares de Hong Kong (17,5 milhões de euros) antes de taxas e prémios.

Segundo a descrição, a importância da obra reside no seu caráter íntimo, uma vez que, ao contrário do estilo rígido e contido dos documentos oficiais imperiais de Yu, a carta privada revela uma caligrafia mais natural e espontânea.

No texto, o mestre pergunta a um amigo como está a lidar com o frio, faz referência ao agravamento do seu estado de saúde e pede para ver os seus trabalhos mais recentes.

Até ao reaparecimento do manuscrito, o `Epitáfio da Princesa Runan`, conservado no Museu de Xangai, era considerado o único exemplo sobrevivente da escrita original do autor.

O rolo, com 27 por 52,5 centímetros, apresenta inscrições e selos das coleções imperiais das dinastias Ming e Qing, incluindo os dos imperadores Qianlong, Jiaqing e Xuantong, também conhecido como Puyi, o último imperador chinês.

Destaca-se igualmente uma anotação datada de 1598 do célebre crítico de arte Dong Qichang, que elogiou o seu traço como "fino, mas poderoso", embora os especialistas continuem a debater se se trata de um original ou de uma cópia posterior realizada por Mi Fu, mestre da dinastia Song.

O rasto do manuscrito perdeu-se na década de 1930, quando Puyi transferiu parte da coleção imperial para Changchun.

Após o colapso da ocupação japonesa em 1945, o último imperador fugiu e o palácio foi saqueado por soldados, num episódio em que inúmeros tesouros foram queimados ou destruídos, levando os especialistas a considerar durante décadas que a obra tinha desaparecido.

A inesperada redescoberta da peça, em setembro de 2025, gerou grande entusiasmo entre académicos e especialistas, obrigando os organizadores da sua exposição prévia em Pequim a limitar as visitas a um máximo de dois minutos por pessoa devido à enorme afluência de público.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rtp.pt — o conteúdo pertence a RTP Notícias - Cultura.

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